Jornal A CIDADE

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Júlio Chiavenato

Quinta-Feira, 6 de Março 2008 - 22h52

Retrato do Brasil


Cerca de 2.000 “livros do professor” foram apreendidos nos sebos de Ribeirão Preto. Eles deveriam estar com os professores, que os usam para saber as respostas às questões dos textos “dados” aos alunos. Poderia parar aqui, pois isso revela o nível do nosso ensino. Livro didático é uma praga e um instrumento ideológico do sistema, que inibe a criatividade do professor, acomodando-o à mediocridade dominante.
Na verdade, mais que isso, o livro didático e sua muleta “do professor”, tentam superar as deficiências dos mestres: eles sabem pouco das suas matérias e quase nada da arte de ensinar. Não por culpa deles, mas em conseqüência de uma série de restrições culturais e políticas, que começaram na ditadura militar e se consolidaram nessa fase de neoliberalismo consumista.
A castração intelectual promovida pelo totalitarismo autoritário colhemos agora com toda força.
Isto é comprovado pelo argumento mais forte do advogado das editoras, ao explicar a blitz que apreendeu os livros: “Este comércio é ilegal, já que o aluno que tem o livro com respostas não compra outros livros e gera um prejuízo anual às editoras de cerca de R$ 40 milhões”.
Traduzindo (se é que é preciso): o motivo real é o prejuízo causado às editoras. Não se discute, nem nesse episódio ou em outros “fóruns”, a ineficiência do livro para o aluno, com as questões ou o que o valha, e do livro para o professor, com as respostas que os mestres aparentemente não sabem e a moçada “cola” malandramente.
Nem se pergunta como estes livros são planejados, elaborados e na sua maioria “adotados” pelo governo. Menos ainda, a formação do professor. Nunca, como e para quê se pretende educar o jovem brasileiro. Assim o Brasil mais se afunda no pântano.

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