Jornal A CIDADE

Leia_A_cidade

Hamilton de Andrade Lemos

Quinta-Feira, 6 de Março 2008 - 22h53

Vizinhos do barulho


Imagine que você tenha três vizinhos, dividindo o muro nos fundos da sua casa. Um deles é venezuelano, um sujeito estranho, falastrão, que ganha a vida com as rendas de um posto de gasolina. Seu hobby é colecionar inimizades e, principalmente, armas, que compra com o faturamento do posto.
Bem ao seu lado tem um equatoriano. Mais reservado, seria um excelente vizinho caso não alugasse um quartinho nos fundos da casa para uma turminha perigosa, gente que, dizem, mexe com drogas e até seqüestro.
No outro extremo, tem o colombiano que está no ramo do café, mas que já teve negócios escusos no passado. Para dizer a verdade, nenhum dos três vizinhos são flores que se cheirem e você preferiria dividir o muro com um terreno baldio, mesmo com o risco da dengue. Mas vizinho é como parente: não dá pra escolher.
Na semana passada deu polícia. O colombiano invadiu o quintal do equatoriano para dar uns tapas no seu inquilino, sob o argumento que este último costuma pular os muros, inclusive para o seu lado, para se esconder da polícia.
O equatoriano ficou uma arara e ligou para 190. Mas, para surpresa das autoridades solicitadas, descobriu-se que quem paga o aluguel é o venezuelano, que nutre simpatias pelo inquilino do vizinho. Secretamente, o que ele quer mesmo é que o inquilino melhore de vida a quem sabe, um dia, fique com as casas do equatoriano e do colombiano. Por enquanto, ele já se diverte bastante com a bagunça que está causando e com sua notoriedade nas páginas policiais.
Enquanto isso, você perde o sono com essa barulheira toda. E agora pensa em subir o muro um pouco mais.

  • Imprimir
  • Enviar

É proibida a reprodução do conteúdo dessa página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso sem autorização escrita da Empresa Jornalistica Orestes Lopes de Camargo S\A
ARZ