Opinião
Quinta-Feira, 6 de Março 2008 - 22h53 A síndrome de rejeição da Fundação Casa - nome que se dá à antiga Febem - volta com tudo. Agora, depois dos menores já instalados em uma casa da rua Américo Brasiliense, na Vila Seixas, perto da área central de Ribeirão Preto.
No ano passado, nas primeiras tentativas de implantar o abrigo em bairros nobres como o Sumaré, a grita da comunidade foi geral. E isso inviabilizou a iniciativa.
Dessa vez, talvez até por uma questão estratégica, não houve aviso prévio. Os moradores da vizinhança foram pegos de surpresa. E não gostaram nada da novidade.
A maioria, na verdade, tem medo e fica incomodada com a proximidade de menores infratores. A reação mostra bem como é difícil administrar a questão do menor no País. Ninguém, em sã consciência, considera bom o modelo convencional da Febem gigantesca e fechada, um depósito de meninos violentos, mal formados e imaturos, que, ao invés de recuperação, só conseguem agravar sua situação.
Seria o momento de se apoiar a iniciativa de gerir uma experiência nova, onde eles terão muito mais possibilidade de receber nova orientação para a vida e conseqüentemente, novos valores, nova postura, novo condicionamento.
Não é hora, portanto, para boicotes e oposições. A reeducação desses meninos interessa a todos. Se eles não sairem da marginalidade, a derrota será comum. Diante de um sistema falido, teremos realmente com o que nos preocupar. Uma sociedade que não educa os jovens, pode se considerar fracassada. E, aí sim, convenhamos, estaremos todos, lamentavelmente, em grande perigo.