Vicente Golfeto
Sexta-Feira, 7 de Março 2008 - 23h3 No ideograma chinês, crise quer dizer – ao mesmo tempo – risco e oportunidade. Explica-se por aí a razão pela qual os chineses são mestres em transformar risco em oportunidade. Alguns perguntam-me os motivos pelos quais eu sou fascinado pelas palavras. Os judeus também. Eles instituíram a cabala – palavra que quer dizer tradição – para estudar separadamente as palavras e os números. Os números eu os estudo menos. Ou quase nada. Mas as palavras, sim. Afinal, se Deus usa a palavra – ou as palavras – para se comunicar conosco é porque ela deve ter muita importância. O que ouvimos numa sinagoga, numa mesquita ou num templo cristão, senão a palavra de Deus?
Há um registro a ser feito. E comentado. A China copia. Atualmente, ela tem – muito diferente do que no passado – uma tecnologia derivada do Ocidente. Parece incrível, mas é. Pergunta-se: onde está a China que deu ao mundo, à humanidade, o papel, a pólvora e a bússola? Ela teria sepultado a cultura traçada a partir de Confúcio e entronizado o pragmatismo? Roma e os Estados Unidos seriam os dois modelos seguidos? Cremos que não. Mas, pelos resultados, faz uma terrível associação dos dois. Adapta Roma para os dias de hoje. E, inovando o que os latinos chamavam de modus faciendi, impõe-se como um império que se expressa na sua língua mais falada: o mandarim. E mandarim é do verbo mandar.
O confronto do final do século 21 – auguram os analistas – será entre o Brasil e a China, dois dos quatro integrantes do que se denomina de Brics (Brasil, Rússia, Índia é China). Pode até ser. Assim como a tecnologia dos judeus tem sido mais forte do que o petróleo dos árabes, a água do Brasil poderá ser mais decisiva – uma espécie de zape – quando a comparação for com o tamanho do mercado chinês. Ou com os avanços da Índia. E até com o poder atômico da Rússia.
Água não tem sucedâneo.
E sucedâneo que dizer substituto.