Jornal A CIDADE

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Hamilton de Andrade Lemos

Sexta-Feira, 7 de Março 2008 - 23h5

Vinte e três


O que podemos fazer com vinte e três vereadores que não possamos fazer com vinte? Esta é a pergunta fundamental a ser feita para a votação da Emenda Constitucional que altera o número de edis em Ribeirão.
Fui ouvir os postulantes a candidatos aos cargos para colher suas respostas. A seguir, apenas algumas das mais publicáveis.
Um deles diz que 23 é um número cabalístico, com forte poder místico, o que poderia trazer benesses telúricas e esotéricas para nossa cidade, com emanações energéticas e a bênção dos seres elementais. Tudo isso traduzido num polpudo salário, carrão à disposição e possibilidade de várias rendas “extras”.
Um outro não concorda! Afirma que é contra o número, que acha pouco. Pede que se completem vinte e quatro vereadores, porque assim a câmara vai ficar ma-ra-vi-lho-sa. Sugeriu ainda que se pintem os carros da frota todos no padrão da kombi da Dárcy Vera. Um luxo!
Um conhecido, dono de gráfica, dá total apoio à iniciativa e ainda sugere que o número seja multiplicado, com efeito promissor sobre seu faturamento com a multiplicação de santinhos, cartazes, cartas e outras porcarias utilizadas nas eleições. Adverte apenas que os pagamentos devem ser antecipados.
Opinião mais sensata veio de um profissional ligado à mídia, que vê no aumento numérico uma progressão geométrica dos assuntos para notícia.
Quanto mais vereadores, diz ele, mais projetos estapafúrdios, mais escândalos grotescos, mais personagens hilários nos programas políticos obrigatórios e, em decorrência, material farto para reportagens.
Fora isso, nenhuma resposta que fizesse sentido!

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