Opinião
Sexta-Feira, 7 de Março 2008 - 23h6 As mulheres celebram hoje seu dia com melhoria nas condições de trabalho. Uma inserção cada vez mais consistente, em cargos de chefia. Executivas que competem de igual para igual com os homens. Mas o cenário não é tão cor-de-rosa. O último censo do IBGE, datado de 2000, já revelou dados, que apesar de serem de oito anos atrás, possivelmente ainda estão atuais, no que se refere à massa de mulheres assalariadas. As conclusões não são abonadoras.
A mulher trabalha como o homem e ganha menos; quando se trata de mulheres negras ou pardas, a discriminação ainda é maior: a grande maioria, em território nacional, exerce apenas funções de empregada doméstica. Porém, aumentam cada vez mais as mulheres chefes de família. Elas têm cada vez mais responsabilidades e ainda carregam o ônus e o prazer indescritível da maternidade.
Não é pouca coisa. E quando à chefia da família e à maternidade se juntam condições adversas de trabalho, a situação se complica. Ainda faltam creches. Assistência satisfatória de saúde na rede pública. É o que mostramos no Caderno Especial Mulher, que circula neste sábado, e revela a rotina de mulheres como Sílvia Helena, que sobrevive do trabalho informal, vendendo goiabas no Centro de Ribeirão Preto. Sílvia achava que tinha miomas no útero - diagnóstico dado por um médico da rede pública, diz ela - mas, na verdade, estava grávida. Só soube disso quando a filha Vitória nasceu. Temos aí, se verídicos os fatos, um escandaloso caso de diagnóstico errado, que colocou em risco a vida da mãe e da criança. Mas não podemos nos esquecer que, até 1934, a mulher não podia sequer votar. O caminho é longo.