Imóveis
Sabado, 8 de Março 2008 - 18h1 Toda arte mostra a realidade a partir de uma ficção. Afinal, a missão do artista é tornar visível o que é invisível. É por isto que se aprende mais sobre a Europa e principalmente sobre Paris do começo do século 19 na obra de Balzac do que no trabalho de qualquer historiador ou sociólogo. E isto embora se saiba que Sociologia não é Política. Sociologia é apenas e tão somente crítica da Política.
Vejamos o urbanismo através do processo de desenvolvimento das cidades brasileiras. E cidades de nossa região. Como disse um sociólogo, estamos tendo uma urbanização sem urbanidade, sem respeito, sem educação. A prova disto tudo pode ser vista no trânsito. Aí na cidade onde mora o prezado leitor, quantas vezes você mesmo – como eu, muitas vezes – não avançou sobre a faixa de pedestre no momento em que o sinal ficou vermelho, impedindo ou dificultando a passagem da pessoa? Não é mesmo? Agora, o poder finge querer resolver o problema estabelecendo, na lei, multa pesada a quem assim procede. Isto é o que a lei diz. Mas o objetivo do legislador não é educar. Se fosse educar o instrumento não seria a lei. Utiliza-se a lei para os mais diversos fins. Por exemplo: vale-se da lei para tentar-se criar emprego, ainda que se saiba que lei não é útero para dar luz a oportunidade de trabalho. Não é outro o sentido de lei que obriga a contratação de profissional graduado em curso de Farmácia para que uma drogaria possa funcionar. Ou mesmo em meio de comunicação.
Regras
O mau uso da legislação tem outra finalidade. No caso do trânsito a realidade é diferente: não é para induzir o povo – especificamente o motorista – a respeitar as regras e o pedestre. É para arrecadar mais, para levar mais recursos ao erário público. Neste sentido, quanto mais infração, melhor. A conseqüência é mais multa e mais dinheiro do cidadão – ou será que não temos cidadão ainda? – para os cofres públicos.
A mídia nos informa que a frota de veículos, nos principais municípios de nossa região, tem crescido cada vez mais acentuadamente. A pressa aumenta sempre. Provérbio irlandês diz que “Deus criou o tempo mas o homem inventou a pressa”. Ora, mais veículo, mais pressa, o mesmo espaço e crescimento da necessidade de se mostrar resultado formam um caldo de cultura para se produzir mais infrações no trânsito. Por conseguinte, mais recursos públicos.
Um Balzac dos dias de hoje registraria com mais acuidade em obras literárias ou de cinema – pode ser também na música, como George Gerschwin fez com “um americano em Paris – estes dias que vivemos. O historiador viria depois. Muito tempo depois. A realidade vira ficção. Mas a ficção nasce quase sempre da realidade.
VICENTE GOLFETO