Júlio Chiavenato
Sabado, 8 de Março 2008 - 18h10 No Brasil decisões morais surgem de acordo com a ética de ocasião. O PV (Partido Verde) de Ribeirão Preto anuncia que não fará aliança com o PT (Partido dos Trabalhadores) devido aos escândalos protagonizados pelos petistas. Deve se aliar ao PSDB. Como se sabe, o PT é escandaloso e o PSDB está inchado de virtudes.
Os mais espertos, não o idiota que vos escreve, logo dizem que é assim mesmo: não se faz política sem “jogo de cintura”. Se na geléia geral brasileira todos se equivalem, a prática precisa ser oportunista. Porém, os mais bobinhos aprenderam a acreditar em idéias, condutas sociais e políticas e militância responsável em defesa do ambiente e comprometida com os direitos humanos etc., que, presumivelmente, os partidos menores, “éticos”, afastados do centro de distribuição de favores lícitos e ilícitos costumam cultivar.
Estes patetas esperam então, que pessoas cujo discurso os aproximavam da decência e os afastavam da politicanalha, fossem homens retos, sem recuos e concessões extremas. Admitiam alguns desvios, desde que não poluíssem e sujassem a dignidade da luta política.
Por motivos óbvios (a defesa intransigente [às vezes] da natureza e do patrimônio cultural e ético) o PV, minúsculo embora, ganhou a simpatia dos idiotas e ingênuos, mesmo daqueles que sabiam não poder esperar muito de tudo o que fede à política no Brasil. Agora o PV passa o recibo. Repudia os “escândalos” do PT e avisa que vai se associar em Ribeirão Preto ao “impoluto” PSDB. Simples assim: sai Palocci, entra Gasparini. Tudo pela “causa”. Não faltarão idiotas e bobinhos que engolirão o discurso. Porrada nos malandros ninguém dá mesmo. Assim se substitui a velha práxis pela prática de cooptação. É a ética de ocasião.