Hamilton de Andrade Lemos
Sabado, 8 de Março 2008 - 18h11 Jornal é lugar para escrever coisa séria. E a função de quem nele escreve é dar a devida dimensão a cada fato relevante. Digo isso porque achei que não recebeu a devida importância a notícia de que os gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais já podem utilizar seus nomes de guerra nos prontuários do SUS.
Na verdade, a manchete deveria estampar a primeira página de todos os jornais do país, visto que isto significa um marco divisório na história do moralismo tacanho da sociedade brasileira. Pra coisa ficar em sintonia com o mundo moderno e com a quebra de modelos ultrapassados, só falta o beijo gay na novela das oito. E de língua.
Minha opinião, deixo bem claro, não é dada em causa própria, pois todo mundo sabe e minha patroa comprova, que não faço parte do grupo.
Porém, vejo com grande simpatia cada conquista de nossos irmãos e irmãs.
Só fico imaginando como vai ser na prática. Se até então o médico chegava na porta de seu consultório, chamava “Seu Valdir, pode entrar” e lá vinha o tal num vestido de paetê e salto agulha.
- Desculpe, minha filha, chamei o senhor Valdir!
- Sou eu mesminha! Mas pode chamar de Jenifer!
- Mas...eu não entendo...
- Então entra que eu explico, baby!
Só sugiro que se ordene melhor o processo.
Por exemplo, com a gigantesca preferência pelo nome Paola, penso que os responsáveis devem ter cuidado na classificação dos prontuários.
Talvez com a adoção de sobrenomes de guerra, como Paola di Mônaco. Ou Sthefanny Carla. Ou ainda...ah, deixa pra lá: eles e elas que se entendam.