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Sabado, 8 de Março 2008 - 19h13

Jardinópolis Paris-Copenhague

Sidnei Quartier
WEBER SIAN Jardinópolis Paris-Copenhague GILBERTO Depois de plantar muita manga bourbon, ele optou pelo abacate apreciado na Europa

Existe uma conexão Jardinópolis-Paris-Copenhague. Ela começa no sítio São Benedito, a um quilômetro e meio da zona urbana de Jardinópolis. Lá, em quatro hectares de boa terra roxa, são produzidos avocados (abacates em inglês). O avocado da nossa região tem um certificado com o qual muitos produtores brasileiros vivem sonhando em obter. Trata-se do Eurepgap, um selo que permite a exportação do produto para os países da União Européia.
E há cinco anos, graças ao rastreamento obrigatório para identificar a procedência da fruta, sabe-se que os avocados de Jardinópolis estão indo para os principais mercados da França (inclui-se Paris), da Dinamarca (principalmente Copenhague) e um pouco para a Espanha.
O idealizador da conexão é o ribeirão-pretano João Gilberto Bonella, 45 anos, engenheiro eletrônico de formação e fruticultor de coração. Em grande parte, seu sucesso deve-se a uma parceria muito afinada com a Jaguacy Brasil, produtora e exportadora de Bauru.
Dos 30 hectares (10 mil metros quadrados por hectare) do São Benedito foram reservados quatro para a plantação de avocado. Deu tão certo, que Bonella, este ano, já plantou mais oitocentos mudas, elevando a área de cultivo para oito hectares.
Bonella se mantém animado por dois motivos. O primeiro, é a boa parceria com a Jaguacy Brasil. A exportadora dá a ele todo o suporte técnico necessário. O segundo, é o preço da fruta.
O fruticultor colhe dez toneladas de abacate por hectare. E recebe média de um real por quilo. Este ano, o preço do quilo deve bater nos R$ 1,40.
Na Europa, uma caixa de quatro quilos do avocado custa de seis euros (R$ 14,70) a oito (R$ 19,60).

Seleção
É claro que nem toda a produção do sítio São Benedito é exportada. Na Jaguacy Brasil, onde a fruta é preparada, embalada e exportada, é que se dá o processo de seleção. Uma simples mancha maior na casca, pode rebaixar a fruta da primeira para a segunda classe. Os frutos de primeira classe vão para os supermecados. Os de segunda são destinados aos restaurantes, que os transformam em salada, patê, molho e pratos principais.
As frutas reprovadas para a exportação, mas de boa qualidade, são vendidas no mercado interno. Podem ser encontradas em alguns supermercados de Ribeirão ao preço de seis a dez reais o quilo.

Ampliação
O negócio é tão seguro que Gilberto Bonella, 72, pai de João, anunciou que ainda neste ano iniciará a erradicação de pés de abacates tropicais para aumentar a plantação do avocato. Serão mais três hectares.
Atualmente, em mais de 20 hectares, os Bonella plantam o chamado abacate tropical das variedades geada, fortuna e quintal.
As terras do São Benedito foram compradas pelo pai de Gilberto e já produziram muita manga, na época em que Jardinópolis era conhecida como capital da fruta e seus moradores chamados de “boca amarela”.
“Meu pai produziu muita manga bourbon e coração de boi. Mas aí vieram as pragas. Mesmo assim tenho um pé de bourbon para consumo interno”, ri Gilberto.


Avocado demora 4 anos para dar frutos
O avocado só produz depois de quatro anos. É esse hiato, considerado longo, entre o plantio e a colheita que leva fruticultres a desisitir de produzi-lo.
O avocado exige água sempre. O processo de irrigação é através de gotejamento. Um tensiômetro controla a quantidade de água que deve chegar ao fruto. Também são necessários cuidados com a adubação e o combate ao ataque de fungos com pulverização à base de cobre.
No São Benedito, os pés são plantados a uma distância de cinco metros e meio. A largura da rua é de onze metros. Os pés crescem bastante por causa da generosidade da terra. A colheita é escalonada de acordo com a demanda. O fruto é apanhado verde e conservado durante bom tempo.
No Chile, um dos maiores produtores do mundo, onde a fruta é chamada de pauta, a distância entre os pés é de três metros e meio e a rua tem oito metros.
Nos bistrôs de Paris, pequenos bares localizados nas calçadas, é possível consumir o avocado de Jardinópolis. Ao estilo mexicano, como o guacamole. A receita é simples.
São dois avocados, um terço de uma cebola média picada, um tomate em cubos sem semente, suco de meia lima, molho de pimenta e sal.
A polpa dos avocados é amassada suavemente e misturada à cebola, o suco da lima, o molho de pimenta e o sal. Por último, acrescente o tomate. Come-se com torradas, tacos ou cenouras em palito.

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