Jornal A CIDADE

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Vicente Golfeto

Segunda-Feira, 10 de Março 2008 - 22h35

Paradoxo latino


É necessária a integração política da América Latina? Clareando, vamos a um reforço desta pergunta: geografia é destino?
Sim, geografia – em parte – é destino. E a integração econômica da América Latina, a começar pela América do Sul, é plenamente possível. E mais do que possível, até. Ela é extremamente necessária. Vejamos a realidade pelo angulo energético.
A América do Sul vive uma situação paradoxal. Somadas as reservas de petróleo, o potencial hidroelétrico, o de biocombustíveis, de energia solar e de energia eólica, a região deve concentrar a maior reserva energética do mundo. No entanto, quase todos os países estão ameaçados pela crise de falta de energia.
Esta integração pode ser feita através do mercado. Mas o processo – uma espécie de filme – é demorado, lento, embora com todas as condições de ser acelerado. E aí entra a Política na sua forma mais elevada. Referimo-nos à diplomacia, exercitada através dos ministérios de relações exteriores dos países. A integração de mercado – trabalho antecedido por obra política que pode ser uma verdadeira ourivesaria – deve obedecer um jogo ganha-ganha.
Não pode ser um jogo de soma zero, em que alguns ganham e outros perdem. Pelo contrário. Todos devem ganhar. E na mesma proporção. Para não causar ciúmes. As afinidades ideológicas aproximam governos. A integração é operacionalizada por governos embora seja assunto de Estado. A simpatia cria amigos enquanto o interesse cria companheiros. E economia é o território do interesse.
Até agora, o crescimento brasileiro nos mercados globais se deve muito mais à grande capacidade dos nossos produtores – aí incluídos os trabalhadores, porque uma empresa é obra plural – do que a qualquer acordo comercial. Isto até agora. Quando se trata de temas sensíveis, como o de energia, na verdade a habilidade política do encanhamento se impõe como necessidade fundamental.

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