Júlio Chiavenato
Segunda-Feira, 10 de Março 2008 - 22h35 A razão científica não muda crenças medievais. Só resultados e fatos anulam o preconceito. Exemplo clássico é a forma da Terra. Há cerca de 2 mil anos antes de Jesus, os gregos sabiam que a Terra é redonda. A Igreja, que tinha na Idade Média os mais avançados cientistas do mundo, também sabia.
O que aconteceu? Punição e fogueira para quem demonstrasse a verdade. Galileu (1564-1642) foi obrigado a abjurar diante do Santo Ofício as idéias de Copérnico (1473-1543), cujos livros só saíram do Index em 1835. Como sabem os estudiosos, seis séculos antes de Cristo, Hicetas, de Siracusa, demonstrara que a Terra gira em torno do Sol.
Por que se negava a verdade conhecida? Porque a ciência contrariava a dominação ideológica da Igreja Católica. Porque o conhecimento abria horizontes e escancarava o caminho para a liberdade do homem, que podia pensar e criar, livrando-se do controle político e sujeição moral impostos pela religião. Porque se temia o Renascimento: das ciências, das artes, da política e de um novo humanismo.
Como se venceu a repressão conservadora? Com fatos. Não adiantaram provas científicas nem argumentos filosóficos. Foi necessário os portugueses descobrirem um novo mundo, navegarem em oceanos que não ferviam nem estavam povoados de monstros, levarem suas naus à “beira do mundo”, provando que elas não caíam no abismo, para ser impossível continuar com a empulhação das crendices que sustentavam um sistema de dominação.
Da mesma forma hoje, na medida em que as pesquisas com as células-tronco conseguirem resultados irrefutáveis e demonstrarem seu benefício à humanidade, a mentalidade medieval perderá força. Depois, uns 500 anos mais, algum papa pedirá perdão à humanidade, como é costume deles.