Opinião
Segunda-Feira, 10 de Março 2008 - 22h36 A falta d’água que atinge há seis dias milhares de moradores na parte alta da Vila Tibério, em Ribeirão Preto, é parte do ônus que se tem que pagar pela antiga malha de canalização na rede. O estouro de um equipamento danificou o reservatório da Via do Café. E até agora o abastecimento não foi restabelecido. Com isso, tem muita dona-de-casa cozinhando com água comprada em supermercado.
O caso serve de alerta para que se se faça o levantamento real de nossas tubulações. Nos serviços essenciais deve prevalecer o velho provérbio: antes prevenir. Remediar sempre custa caro.
É o mesmo caso das nossas cadeias. Só que a gravidade deste último episódio é infinitamente maior. Há que se lamentar a morte de dois presos, ontem, dentro de uma cela, no Centro de Detenção Provisória de Ribeirão Preto. É inadmissível que isso ocorra sob a tutela do Estado. Lamenta-se, também, que as mortes tenham sido violentas, por asfixia.
Um terceiro preso foi encaminhado para socorro, aparentemente por overdose. Isso significa que nossos prisioneiros não têm nenhuma garantia de vida e que as drogas têm acesso livre ao presídio. Pelo menos, no CDP tiveram.
Ambas as condições são inaceitáveis. Não se pode prender um homem para deixá-lo morrer. Não se pode permitir, também, que drogas ilícitas transitem dessa maneira no sistema penitenciário.
É preciso apurar meticulosamente o caso, para descobrir por quê e de que maneira as mortes e a possível overdose ocorreram. A sociedade civil, como um todo, espera as explicações e as providências. Mesmo que os remédios sejam amargos.