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Márcio Bernardes

Terça-Feira, 11 de Março 2008 - 23h4

Questão de Opinião


(São Paulo) - Final da década de 80. Eu participava da maior equipe esportiva do rádio brasileiro comandada por Osmar Santos. A Globo contratou um locutor de Guaíra e logo no seu primeiro dia de trabalho fomos-nos apresentados. Humilde, bela voz, uma calça de tergal surrada, olhar enviesado e a vontade de vencer na capital. Logo ganhou o apelido de Tanajura. Não me peçam maiores detalhes...
Oliveira Junior se transformou no plantão número 2 da rádio. O tempo passou e surgiu a oportunidade dele se transformar em empresário e procurador do jovem lateral Roberto Carlos, que estava sendo negociado com o Palmeiras/Parmalat.
Oliveira teve a dignidade de pedir demissão da emissora, reconhecendo que não poderia exercer as duas atividades tão conflitantes. O tempo passou, muitos jogadores foram negociados por ele, que com méritos ficou milionário. Aliás, ele fazia questão de não esconder isso de ninguém. Principalmente de seus ex-colegas.
Tempos depois o ex-plantonista assumiu a direção do Ituano. E ainda tornou-se vice-prefeito de Itu. Não vem agora ao caso comentar as possíveis razões de ele ter abandonado a cidade que lhe deu muitas alegrias em várias competições bem sucedidas disputadas pelo Ituano. E que afinal, também lhe confiou milhares de votos.
Depois de algum tempo comandando o Comercial FC, devo confessar que estou triste com o Tanajura. Reconheço que sua intenção é ficar ainda mais rico usando a vitrine do meu time do coração. E não vejo nada de mais, desde que as regras e o que foi combinado estejam sendo cumpridos. Mesmo que tudo esteja de acordo, Oliveira está falhando num ponto: frustrando o coração e a emoção de milhares de torcedores. Afinal, o time que ele montou está na zona de rebaixamento e faz pífia campanha na Série A2.
Não vejo nenhum problema o Comercial entregar seu nome e patrimônio a um forasteiro que não tem nenhum vínculo emocional com o clube. Se o Oliveira Junior paga seus impostos corretamente e suas atitudes estão dentro da moral e da legalidade, ninguém pode contestá-lo.
Minha tristeza é que em toda rodada, com exceção da última, durante meu programa Debate Bola, quando o plantão da rádio Transamérica informa o resultado do jogo do Comercial eu passo a maior vergonha.
Quero dizer ao meu velho companheiro que estou torcendo por ele. Mas antes disso, há muitos anos, torço mesmo é pelo Comercial. E seu comando não está sendo convincente, nem vencedor. Para a decepção de todos nós. Como diria o saudoso jornalista e comercialino, Benito Valenzi, tragicamente assassinado aqui em São Paulo na década de 80: “Ô Tanajura! Não queira matar a gente do coração”.

*Márcio Bernardes é âncora da Rede Transamérica de Rádio e professor universitário.
Site www.marciobernardes.com.br

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