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Opinião

Terça-Feira, 11 de Março 2008 - 23h12

O bem comum


Não há nada pior do que uma dívida que rola. Os valores acabam ficando estratosféricos. Depois de 18 anos de pendenga judicial, a Prefeitura de Ribeirão Preto teria que pagar hoje, a 3.240 servidores, salários no valor total de R$ 420 mi, que equivale a quase metade do orçamento anual do município. Tudo isso por conta de um gatilho salarial que deixou de ser acionado, em 1990, em gestão anterior do prefeito Welson Gasparini.
A Prefeitura oferece o pagamento de R$ 147 mi, que os servidores rejeitam. É preciso, no entanto, que haja bom senso para que seja feito um acordo que não arrombe os cofres públicos e, ao mesmo tempo, viabilize o cumprimento inevitável da sentença judicial.
Se os funcionários municipais têm direito líquido e certo ao pagamento, que ele seja feito, mas dentro da lógica que deve reger decisões dessa gravidade. Não se pode paralisar Ribeirão Preto para acertar salários retroativos com os servidores. Um consenso do bem é o mínimo que se quer agora, para não prejudicar a cidade nem desonrar compromissos que precisam ser cumpridos - por determinação da Justiça.
Enquanto isso, aguarda-se, também, pela apuração rigorosa do caso das duas mortes, anteontem, dentro de celas do Centro de Detenção de Ribeirão Preto.
O caso está nebuloso e merece muita atenção por parte de todos - principalmente da Corregedoria dos presídios e do Ministério Público. O Estado tem o dever de garantir a vida dos presos dentro dos presídios. E precisa impedir, também, a entrada de drogas. A pergunta que se faz é se essas falhas podem ser corrigidas. Espera-se que sim, para o bem comum.

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