Vicente Golfeto
Quarta-Feira, 12 de Março 2008 - 22h55 O IBGE mostra que 87% dos brasileiros nunca foram ao cinema, 92% nunca foram a museus, 78% nunca assistiram a espetáculos de dança. Com estas exclusões podemos deduzir qual é o nível cultural das massas.
É por isto que a democracia brasileira tem duas caras e duas vozes. Uma é a opinião pública, composta de pessoas informadas, com cerca de 16% dos eleitores.
Outra é a opinião nacional – o resto de 84% – que vive o reino da necessidade e apóia quem lhe ajuda. Para se transformar a opinião nacional em opinião pública é preciso acelerar a transformação do mundo do favor para o mundo do direito.
Pitágoras dizia que “os números governam o mundo”. Claro que sua análise escondia a importância da cabala dos números. Mas a aritmologia nos indica igualmente a necessidade de, a partir daí, traçar-se metas com deadline.
Metas são sonhos. Deadlines são prazos previamente escolhidos para a transformação do propósito, do sonho, em realidade.
O que está escondido no aspecto cultural explica a razão pela qual a política afigura-se-nos um hieroglifo difícil de se decifrar.
Antônio Gramsci era de opinião que “quem detém a cultura detém o Estado. E vice-versa”. É exatamente esta elite que faz a cultura dominante. Ela forma o que se conhece como cultura nacional. Culturas nacionais formam nações. Culturas globais podem vir a destruí-las.
Daí estarmos diante de um dilema: destruímos a cultura desta elite perniciosa, que tanto tem infelicitado o Brasil e corremos o risco de termos uma cultura importada ou mantemos tudo como está? Nem uma coisa e nem outra.
Mantida a situação, confirma-se o que disse a ministra Zélia Cardoso de Melo: “o povo é só um detalhe”.
Ou, a fala de José Nicodemos Pessoa: “do povo quero distância e voto”.
Mas, é melhor não ter a cultura dos 16% do que tê-la. Assim, é só proporcionar condições de alterações do estágio cultural para que o Brasil avance.