Júlio Chiavenato
Quarta-Feira, 12 de Março 2008 - 22h56 Várias vezes escrevi que sou idiota. Não “fazia gênero” nem dizia uma coisa para significar outra. Literalmente: no mundo atual só um idiota pretende coerência ética e respeito aos princípios. Principalmente no salve-se quem puder da politicanalha, quem não se lambuzar com a meleca geral está fora. Pelo padrão vigente sou idiota.
Mais que idiota, é preciso beirar a debilidade mental para esperar dos políticos em cena um mínimo de responsabilidade ética. Desconfio mais dos que se julgam exceções do que daqueles assumidamente “amorais”, os pragmáticos que só conhecem e respeitam o dono do cocho onde comem. Alguns se contentam com as migalhas. São farelos ideológicos, dejetos caducos de militância periférica, que envernizam a torpeza cultural e dão corpo às fantasias que precisam para justificar as alienações políticas e frustrações pessoais. Assim constroem suas “personas” e acreditam ser diferentes, mas contribuem para a manutenção do cinismo mascarado de participação, que possibilita vantagens e compensações manipuladas e negociadas pelo sistema. Estes, no fundo são espertos. Sabem das coisas e conhecem os meandros do “pode-não-pode”. Não se arriscam e nunca ultrapassam a fronteira que pode mandá-los pro beleléu. Já os bobinhos e idiotas entram pelo cano, pois há muito estão em território minado, denunciando as falcatruas morais.
Faço parte da turma dos idiotas. Como alguns remanescentes mais bobinhos, creio em princípios e valores, desprezo os espertos de hoje, que ontem posaram de santos. Mais que bobinhos, somos bobões: ainda nos gozam, jogando-nos na cara que estamos superados, pois não entendemos as regras do jogo. As regras mudam de acordo com os donos do jogo. Vergonha na cara não.