Márcio Bernardes
Quinta-Feira, 13 de Março 2008 - 0h17 (São Paulo) - Marco Aurélio Cunha tem muitos inimigos. Mesmo assim, a cada dia, parece que se esmera em aumentar a coleção.
Sábado, ao invés de ajudar a encontrar as razões de o São Paulo ter jogado tão mal contra a Portuguesa, preferiu atirar a esmo. Gilberto Pinhata, vice-presidente do Botafogo, tomou as dores do clube e de nossa cidade. E mandou-lhe uma mensagem que reproduzimos sinteticamente abaixo.
“Transmito o meu profundo descontentamento por suas palavras, em resposta a jornalistas que o questionaram sobre a vinda do São Paulo para um jogo em Ribeirão Preto.
Não pude entender sua declaração que me soou mais como bravata. E perguntei a mim mesmo como uma figura poderia proferir comentários tão inóspitos e inexpressivos. Mesmo a deslavada paixão que vossa senhoria curte pela sua equipe não poderia superar a ofensa acusatória contra o estádio Santa Cruz e a própria cidade de Ribeirão Preto. Pela história dos dois clubes, pelo histórico de companheirismo destes tricolores, pelos ilustres craques que vestiram as duas camisas sempre com glórias, eu não pude entender a razão de suas críticas.
Esta colorida e vistosa cidade foi transformada pelas suas palavras numa planície uniforme, sem cor.
Ninguém acredita que estes pensamentos funestos e crepusculares contidos em suas críticas possam ser verdadeiros. O senhor desdenhou apiedado de um estádio testado inúmeras vezes e que hoje ostenta, orgulhosamente, todas as aprovações existentes possíveis: desde a Polícia Militar, o Corpo de Bombeiros, até o alvará e o habite-se expedidos pela Prefeitura Municipal.
O senhor agiu como um forasteiro. Uma acusação sem provas pode imobilizar qualquer pensamento. E uma pessoa que se diz inteligente, como vossa senhoria, não pode se portar como uma carmelita reclusa que nada ouve e nada vê.
Tais observações merecem abrangente repulsa das pessoas do nosso tempo. Não se deve assistir a tolices sem deixar de lembrar que isso pode transformar-se em uma marca que certamente vai aumentar a ignorância daqueles que não receberam melhor educação.
Ribeirão Preto costuma receber amigavelmente todos aqueles que por aqui aportam, sem nada cobrar em troca. Precisamos, entretanto, exigir o mínimo. Pelo menos, educação.
A forma irreverente que o senhor se utiliza pode até ser uma necessidade, sem dúvida. Mas a denúncia vazia é cruel. Não merecíamos tantas dúvidas que o senhor levantou, talvez choroso pelo resultado auferido pelo São Paulo em nossa cidade. Mas aí nós não temos culpa. É só reclamar com a Portuguesa”.
*Márcio Bernardes é âncora da Rede Transamérica de Rádio e professor universitário.
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