Vicente Golfeto
Sexta-Feira, 14 de Março 2008 - 0h0 Afirma o ministro Guido Mantega, da Fazenda, que “o Banco do Brasil não está tão voltado ao lucro quanto as instituições privadas. Eu diria – aduz ele – que o ideal seria que todo sistema financeiro brasileiro tivesse lucros um pouco menores”.
Certamente este ministro não tem primado, em seus pronunciamentos, pela inteligência. E nem pela sinceridade. Não raro, lhe têm faltado ambas.
Todos sabem que o governo federal é sócio dos bancos na política de juros altos. Não os fixados pela Selic – conforme decisões do Conselho de Política Monetária, o tal de Copom – mas os estabelecidos pelo mercado.
O governo ganha porque, no quantum pago pelos tomadores de empréstimos junto aos bancos, inclui-se o que se chama tecnicamente de cunha fiscal. Que é a parte que cabe à receita do governo federal neste enorme latifúndio.
O lucro dos bancos – sobretudo os privados – evidencia a eficiência que falta à boa parte das instituições financeiras federais, marcadas pelos privilégios da burocracia e por seu uso com fins partidários. Mas mostra também a força das tarifas e dos juros altos a favor dos ganhos da banca. A tarifa substitui os ganhos da inflação.
Pergunto de novo: por que indústrias, empresas de serviço, empresas comerciais, precisam de obter aval do Cade, do Ministério da Justiça, para se incorporarem ou realizarem fusão e os bancos, ao contrário, não precisam?
Agora, para reduzir o lucro dos bancos, de maneira que se diminua a transferência de renda das empresas privadas – sobretudo indústria, comércio e o amplo setor de serviços – e de toda a sociedade para os bancos, basta facilitar a concorrência entre as instituições financeiras.
A primeira conseqüência seria a redução das tarifas. Mas grupos governamentais – há muitas décadas – favorecem os bancos, mantendo a concorrência bem limitada entre eles. O ministro da Fazenda sabe. Mas prefere falar para o público apenas.