Júlio Chiavenato
Sexta-Feira, 14 de Março 2008 - 0h1 Poderia ser pior: e se em vez dos 6,7 litros de sucos que cada vereador bebeu por sessão da Câmara Municipal de Ribeirão Preto em 2004, eles tivessem tomado cachaça? Apenas beberam um inocente suquinho, que não embriagou ninguém.
O presidente na época da “Farra das Frutas” e de novo na presidência, Leopoldo Paulino, vai recorrer da condenação do Tribunal de Contas. No Brasil, enquanto se recorre e se prolonga a pendenga nos tribunais ninguém é culpado. Uma das muletas morais dos nossos políticos é que na democracia todos são inocentes, até prova em contrário.
Bebam suco à vontade. Depois recorram. Um, dois, três recursos, até os prazos vencerem e os processos caducarem.
Nesse tempo trocam-se governos, sai um bom entra outro melhor, conforme nossa tradição. Com um acordo aqui e um apoio ali prova-se que não houve fraude nem má-fé: foi um equívoco e se alguém levou o seu, como é do costume, mero acidente. Não se prova nada!
Todos os políticos brasileiros são inocentes e os de Ribeirão Preto mais ainda. Nada se provará contra nossos vereadores, como nada se provou contra Fernando Collor, que voltou fagueiro das Alagoas. O doutor Maluf, grande engenheiro de obras, está aí com a sua inocência provada até na Suíça e na França. Seu secretário de imprensa entope os jornais de cartas quando alguém suspeita das contas malufianas. Espero que ele não me descubra, mas se me descobrir, já antecipo: o doutor Maluf é inocente, não precisa explicar.
Inocente também és tu, crédulo eleitor contribuinte. Continuas votando, sempre nos mesmos. Eles serão reeleitos e continuarão sem mácula a beberem suco que dá para acabar com a seca do Nordeste. Como eu continuo idiota, regozijo-me: ainda bem que não foi cachaça!