Hamilton de Andrade Lemos
Sexta-Feira, 14 de Março 2008 - 0h1 Costumo ler o jornal antes de sair de casa. Depois do primeiro verbo, hesito em realizar o segundo. Dá medo! E nem precisa ler as notícias por inteiro. Os títulos já são suficientes.
Títulos são a minhoca no anzol do jornalista. E fazê-los não é arte fácil. Andei estudando o assunto. Descobri regras interessantes.
A primeira delas é saber quem vai lê-los. É homem ou mulher? Que idade tem e quais seus gostos pessoais? Por exemplo, que título atribuir a uma notícia que será lida por um homem baixo, desempregado, sem família nem emprego, com vontade de conhecer outras cidades? Poderia ser “Circo encerra espetáculos em Ribeirão Preto”. Uma questão de perspicácia.
O segundo passo para um bom título pede capacidade de concisão. Não que seja apenas curto, mas que sua brevidade resuma tudo o que será lido. “Dormiu no motel” é um destes. Só por ele você já imagina que vai ler sobre um sujeito em maus lençóis, sem trocadilho. Se, por outro lado, o artigo versar sobre uma promoção de pernoite, será tão frustrante para o leitor quanto para a parceira em questão.
Outro atributo do título, contrariando tudo o que disse anteriormente, é o de não explicar nada. Como assim? Simples, que deixe mais perguntas do que respostas. Imagine um assim: “Mulher pelada”. A maioria dos leitores masculinos, pelo menos aqueles que fazem justiça ao adjetivo, correrão para o texto. O feminino também, nem que seja para conhecer a identidade da exibida.
Daí em diante, é a honestidade de quem escreve que vai dizer se a matéria faz justiça ao título. Ou se é apenas um recurso mal-intencionado para obrigá-lo a ler a notícia até o fim. Mas isso não se faz!