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Opinião

Sexta-Feira, 14 de Março 2008 - 0h1

Pimenta no futebol


O jogo marcado para domingo entre São Paulo e Palmeiras mexe com Ribeirão Preto - e com a região inteira - muito mais do que se pode imaginar.
O futebol dos grandes provoca aquela ânsia visceral que deságua na mais irracional efervescência. Porém, o frenesi seguido de tumulto, ontem, nas bilheterias do Estádio Santa Cruz, não foi resultado, apenas da paixão. Foi uma conseqüência, principalmente, da desorganização e da falta de planejamento na venda de ingressos.
Entre os problemas apontados pelos torcedores, que se espremeram durante horas para assegurar o direito de ver o clássico, este chama a atenção: não havia guichês separados para as duas torcidas. Palmeirenses e são-paulinos juntos, mesmo que seja na disputa por um ingresso, já apresentam um risco potencial. Qualquer pessoa de bom senso poderia prever isso. Mas não se previu.
Os torcedores reclamaram muito da falta de organização da fila. Mesmo com o ingresso na mão, muita gente não conseguia sair, prensada pelo empurra-empurra de quem ainda não tinha conseguido fazer a compra. E os inevitáveis cambistas provocaram protestos de quem madrugou para garantir lugar.
Quando entrou em cena a polícia, para tentar garantir o impossível, o que se viu foi spray de pimenta, torcedores com olhos irritados e, enfim, a determinação de abrir novos pontos de venda. Mas só ontem. Hoje, os últimos ingressos estarão disponíveis, de novo, apenas no Santa Cruz.
Tomara que com guichês separados, mais calma e menos cambistas. Que no domingo a ação fique só dentro do campo. E sem pimenta.

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