Jornal A CIDADE

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Vicente Golfeto

Sexta-Feira, 14 de Março 2008 - 23h39

Família amplificada


Quanto menor a garantia, a segurança que o ser humano tem em relação ao futuro; 1- maior a taxa de expansão da natalidade; 2- e menor a propensão a poupar. Portanto, maior a probabilidade de consumir. A taxa de natalidade de um povo obedece à regra número um. Pobres – sinônimo de proletário, de operário e que tem muitos filhos, ao mesmo tempo – precisam ter muita prole para que, na velhice, pelo menos uma pessoa, um filho ou uma filha cuide deles. Se o Estado provê com gordas aposentadorias, por que poupar para a velhice? Já a taxa de poupança – ou, como se denomina, de formação de capital bruto – obedece à segunda regra.
A partir desta realidade é preciso considerar exemplos de outros povos. A China é um caso a ser analisado. O povo chinês, por ter um sistema de aposentadorias que não garante um futuro tranqüilo – pelo contrário – teve sua população de tal maneira em expansão que hoje supera o bilhão e trezentos milhões de habitantes. Mas, ao mesmo tempo, apresenta a maior taxa de formação bruta de capital do mundo.
Qual modelo o Brasil deve seguir? Está aí um dos itens do que se pode denominar de planejamento estratégico. A melhor contribuição de um economista não é – então – prescrever trajetos a serem seguidos mas indicar o que cada opção significa em termos de determinação do futuro. Sabe-se que um homem de estado maior joga com alternativas. Ele faz a escolha assessorado por profissionais de diversas áreas. Inclusive e principalmente na área econômica. Mas não só na área econômica.
Às vezes é preciso sacrificar o presente para se poder construir o futuro. Ruy Barbosa diz que “a pátria é a família amplificada”. Pois bem, quantos pais abnegados não sacrificam o presente – mais pessoal do que dos filhos – a fim de poder construir um futuro melhor para eles, para os filhos? O raciocínio vale também para quem pensa o país e tem obrigação de propor alternativas.

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