Júlio Chiavenato
Sexta-Feira, 14 de Março 2008 - 23h39 Só um terremoto acabará com as enchentes e consertará o trânsito em Ribeirão Preto. Os pequenos tremores de terra na região e alguns minitufões, indicam que talvez aconteça um terremoto nesta Califórnia. Quem sabe como o de Lisboa, em 1750, que arrasou a velha cidade cheia de ruelas, ratos e epidemias. O rei, preguiçoso, deixou que o marquês de Pombal reconstruísse a capital. Ele fez um bom trabalho: abriu avenidas, inúmeras praças e bosques e impediu a ocupação anárquica do espaço urbano.
Foi fácil: Pombal teve o ouro do Brasil (só precisou enfrentar a nobreza, que conspirou até para derrubar o rei; o povo, que quis matá-lo; o clero e o papa).
Em Ribeirão Preto, mesmo se um terremoto obrigar a reurbanização da cidade, será mais difícil: não temos lei nem rei, ninguém mais se queixa ao bispo e o papa deve ter uma vaga noção dos canaviais; porém, temos prefeito e vereadores.
Mas Deus é brasileiro. Nosso terremoto não matará milhares de pessoas como em Lisboa. Acontecerá num fim de semana, para não prejudicar o comércio e quando os cidadãos dessa valente cidade assistirão ao Come-Fogo, que nessa altura acontecerá na Sétima Divisão: seus estádios, desculpem, arenas, serão poupadas.
Difícil será convencer os empreendedores que construíram a grandeza dessa cidade, e aos políticos, de que é preciso deixar uma nesga de terra para os riachos, ribeirões e córregos correrem livres. Impossível convencê-los que as ruas precisam ser alargadas, as árvores não podem ser mortas e para respirarmos ar puro é necessário auxiliar uma coisa que antigamente se chamava fotossíntese, criando bosques e jardins.
Pensando bem, melhor deixar como está. É o que faz o prefeito Welson Gasparini. E tem se dado muito bem.