Especial
Sabado, 15 de Março 2008 - 15h28
TODO CARRO É UMA ARMA E TODO ACIDENTE É PERIGOSO 0 bombeiro Denis foi vítima no aeroporto
Pelo menos uma vez por semana, policiais militares e civis flagram adolescentes na direção de veículos em Ribeirão Preto. A cidade registrou no ano passado 14.241 mil acidentes, uma média de 39 por dia, quase dois a cada hora. “O fato é corriqueiro e mostra que os pais entregam com facilidade o carro nas mãos dos filhos”, disse o delegado Sérgio Siqueira.
Esta semana, dois menores foram flagrados dirigindo. O primeiro caso foi no final de semana. Uma jovem de 17 anos tirou da garagem o carro da família e bateu em um muro no Jardim Paulista. A passageira ficou ferida e foi levada ao hospital. Na última quarta-feira, a dona-de-casa Maria Helena Gomes Silva, 36, foi presa ao ser flagrada com uma carteira de motorista falsa. Ela estava com o filho de 15 anos que dirigia o carro da família na rodovia Anhangüera, próximo a Jardinópolis.
A legislação de trânsito determina que os pais que entregam os carros aos filhos adolescentes sejam punidos civelmente.
“O menor vai ser responsabilizado penalmente e será autuado por ato infracional. O pai vai arcar com as multas e com a indenização em casos de vítimas”, afirma o capitão Luiz Henrique Usai.
Para o coronel Antônio Carlos Muniz, da Transerp, falta responsabilidade aos pais que permitem que filhos menores dirijam veículos.
“Fatos como esses acontecem porque os pais não têm responsabilidade. Eles deveriam ser mais rígidos na educação com os filhos”, afirmou o coronel Antônio Carlos Muniz, superintendente da Transerp.
Segundo ele, para suprir a falha dos pais na educação dos filhos sobre o trânsito a empresa lançou o “Transerp Educando nas Escolas”.
“Estamos fazendo o caminho inverso porque notamos que os filhos têm ensinado os pais sobre a legislação de trânsito”, disse.
Bombeiro diz que seu caso deve ser exemplar
Em 2004, o bombeiro Denis Anderson Gonçalves ficou paraplégico. Foi para a cadeira de rodas depois de um acidente durante simulação no aeroporto de Ribeirão Preto. O carro em que ele estava capotou. “Os menores precisam se conscientizar que o carro é uma arma e pode fazer vítimas como eu”, diz Denis. Mas nem sempre esse tipo de alerta é ouvido.
Quem se arrisca a pegar um volante antes de completar a maioridade, tem sensação de onipotência e comete um ato intencional de rebeldia.
É a opinião da psicóloga Mara Cabral:
“O adolescente não tem maturidade suficiente e ao mesmo tempo quer se rebelar contra a sociedade”, afirma a psicóloga.