Imóveis
Sabado, 15 de Março 2008 - 15h37 É um fato. A família brasileira está diminuindo de tamanho. Costumam ser responsáveis pelo aumento da natalidade – uma das variáveis que determinam a expansão demográfica de uma cidade ou de um país – os mais ricos e os mais pobres. Sobretudo estes. Os mais ricos normalmente têm mais filhos porque precisam de deixar a herança formada ou em formação. E os mais pobres – proletários – normalmente têm mais filhos porque, assim, pelo menos um filho ou uma filha cuidará do casal em sua velhice. A insuficiência das aposentadorias concedidas aos trabalhadores do setor privado da produção pelo INSS, historicamente insignificantes, contribui para que o fato analisado se perpetue.
Prole é filho. E proletário, em termos etimológicos, é quem tem muitos filhos, que multiplicam a prole. É também a razão do verbo proliferar ter o significado que tem.
Com a expansão da classe média – filha do capitalismo de mercado e não do capitalismo de Estado – a natalidade diminui. A classe média tradicionalmente tem menos filhos.
Também são variáveis que contribuem para determinar a taxa de expansão demográfica, além da natalidade: 1- a mortalidade ou o obituário; 2- a emigração; 3- a imigração. Duas das variáveis recebem sinal positivo porque aumentam a população. São elas a natalidade e a imigração. E duas recebem sinal negativo porque são redutoras do ativo populacional. São elas a emigração e a mortalidade ou obituário.
O Brasil tem deixado de ser – como foi no passado – terra de oportunidades. Com isto, cada vez mais recebemos menos imigrantes. Que engrossavam a população. É certo que a mortalidade também está diminuindo. Melhora na qualidade de vida, alimentação mais saudável, preocupação com exercícios físicos, avanço da Medicina – dentre outros fatores – têm reduzido os índices de óbitos anuais por mil habitantes. Mas nossas cidades têm perdido muita gente. Que emigra porque encontra em outros países as oportunidades que deixamos de oferecer dentro do Brasil.
Com isto, o número de filhos por família, cai.
Esta realidade populacional e familiar repercute nas habitações. Cada ano mais, cai o número de habitantes por residência. Com isto, pode-se perfeitamente diminuir o número do cômodos por residência, notadamente os quartos. E também as dimensões dos quartos. A conseqüência é nos banheiros e em todas as dimensões das casas.
Caso estejamos analisando unidades habitacionais sobre as quais incide a taxa conhecida como condomínio, evidente que o custo diminui. Não como se esperava. Mas diminui.
E custo é tanto preocupação das empresas quanto das famílias. Que têm que acompanhar os dispêndios em geral – inclusive com manutenção das residências térreas ou dos apartamentos – sob pena de eles ultrapassarem a capacidade de pagamento mensurável através da renda da família.
A demografia influi na arquitetura. Que determina a situação financeira. Ou parte dela.
VICENTE GOLFETO