Jornal A CIDADE

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Sabado, 15 de Março 2008 - 17h48

Justiça autorizou 409 mil escutas

Jucimara de Pauda
WEBER SIAN Justiça autorizou 409 mil escutas BANALIZAÇÃO Ana Paula Vargas Melo, da OAB de Ribeirão Preto, critica o excesso de escutas

As escutas telefônicas foram banalizadas no país. A conclusão é de Ana Paula Vargas Melo, presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) regional de Ribeirão Preto.
As cinco empresas de telefonia que operam no país informaram que no ano passado, 409 mil interceptações telefônicas foram feitas em todo o Brasil, com ordem da Justiça, o que representa 0,23% de todos os telefones fixos e celulares do país.
Os dados foram passados para a CPI dos Grampos, em Brasília, e representam crescimento de 10% no número de pedidos entre 2006 e 2007.
“É um método válido, mas como invade a privacidade das pessoas, a Justiça precisa ser rígida na autorização das escutas.”
Para Ana Paula, as escutas deveriam ser usadas apenas em casos excepcionais e não virar regra em todos os inquéritos policiais.
“Elas não podem substituir o processo de investigação”, afirmou.
Em Ribeirão Preto, vários casos são resolvidos pela Polícia Civil graças às escutas telefônicas. A Delegacia Seccional não quis informar em quantos inquéritos policiais as interceptações foram utilizadas.
No entanto, este ano, o sequestro do comerciante Gabriel Farias Júnior, ocorrido em janeiro, foi resolvido, após ele ficar dez dias no cativeiro, graças às interceptações telefônicas feitas pela Polícia Civil de Ribeirão Preto. Cinco pessoas foram presas.
Na época, sutilmente, o ex-delegado seccional, Benedito Antônio Valencise, disse que “o caso foi solucionado graças ao trabalho feito, onde todas as técnicas policiais foram usadas”.
Para o detevive João Zumbrilli, proprietário da empresa Kazo Detetives Particulares, atualmente a escuta telefônica é a grande arma da polícia contra os criminosos.
“É o serviço de inteligência da polícia e contribui para a solução dos crimes”, disse.

Grampo é ‘arma’ dos detetives
Os detetives particulares contam com o auxílio das escutas telefônicas na solução de vários casos, mas elas são feitas com a autorização do proprietário da linha telefônica.
“Colocamos a escuta quando o marido está desconfiado da mulher ou vice-versa, ou quando os pais estão desconfiados que os filhos usam droga”, afirmou João Zumbrilli, detetive.
Segundo ele, um gravador é colocado no telefone sem que a pessoa que vai ser investigada saiba.
Existem também os aparelhos que já vêm com gravadores e podem ser comprados em qualquer site de vendas pela internet, com custos que variam entre R$ 200 e R$ 500.
“O processo é simples, rápido e barato”, afirmou.
Pais preocupados com os filhos e que querem saber se eles estão envolvidos com drogas são os casos mais comuns e geralmente eles autorizam a colocação de escutas nos telefones.
“Na maioria das vezes o filho tem problema com entorpecentes e no telefone eles se abrem porque acham que ninguém ouve. Já presenciei pai sentar no chão e chorar quando descobre a verdade. É muita tristeza para uma família”, disse.

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