Caderno C
Segunda-Feira, 17 de Março 2008 - 21h52
MAITÊ ORSI Para a designer, a linha entre as jóias e as bijus é tênue
Em tempos de peças cada vez mais belas e bem acabadas, quem se atreve a arriscar um palpite sobre o que é jóia e o que é bijuteria? Assim como é difícil atestar as diferenças de material entre uma peça e outra, também não é fácil para as mulheres escolher o que comprar e quando usar o quê.
A designer de interiores e jóias, Maitê Orsi, conta que em termos conceituais o que diferencia as jóias das bijuterias são o material usado, as ligas nobres de metal e as pedras preciosas, que agregam valor às peças.
- A bijuteria tem a mesma idéia de acessório e de adorno, mas ela tem menos valor agregado, disse Maitê.
Na sua opinião, tanto as jóias quanto as bijuterias têm mercados fortes e consolidados. Em geral, há uma melhora significativa nas peças. Além disso, as jóias estão com preços mais acessíveis.
Segundo Maitê, o limite entre os dois tipos de acessórios fica cada vez mais tênue na medida em que as bijuterias ficam mais sofisticadas e ao mesmo tempo as jóias ficam mais simples para poderem consquistar as mulheres mais preocupadas com segurança.
- A linha é muito tênue. Tem jóias que utilizam materiais mais baratos e bijuterias feitas com materiais mais nobres. Entre um segmento e outro também pesa a questão da manipulação e da tecnologia empregada nas peças, disse a designer.
Com isso, o design das peças passa a ganhar maior importância na hora de determinar o valor. Segundo Maitê, um traço diferenciado de um determinado designer pode conferir à jóia maior competitividade e preços mais altos.
A designer ainda alerta que hoje em dia existem muitas réplicas de jóias no mercado de bijuterias feitas com muito capricho e que tornam quase impossível a identificação a olho nu. Não é difícil, hoje, por exemplo, a mulher se deparar com bijuterias elaboradas que custem mais caro do que jóias legítimas em modelos mais simples.
- Tudo vai depender do que a mulher quer e do seu estilo. Se for apenas para parecer bonita e elegante, a mulher pode usar belas bijuterias, mas se ela busca algo além da aparência, se, particularmente, ela aprecia peças legítimas, deve mesmo usar jóias. O fato é que não existem regras formais, fixas, avalia Maitê.
Para Maitê, o mais importante é que haja transparência para que o consumidor pague o preço justo pelo que está comprando. Ela acredita que, com tantas opções no mercado, a mulher precisa ficar atenta à origem das peças que compra para pagar um valor justo.
Certificados
Os certificados podem ser a maior arma do consumidor contra as fraudes no mercado de jóias e bijuterias. A avaliação é da vendedora de uma loja de jóias Shirley Aparecida Bindo. De acordo com ela, toda peça vendida como jóia e com preços altos deve sempre trazer um certificado que ateste seus valores agregados. O certificado não necessariamente vai trazer garantia, mas sim autenticidade.
Ela também afirma que é impossível saber a olho nu se uma peça é legítima ou não. O certificado traz a autenticidade para o produto. Segundo Shirley, a maioria das pessoas que compra jóias hoje já está habituada a comprar peças valiosas e, muitas vezes já está até mesmo fidelizada e sempre volta para comprar nas mesmas lojas.
- Hoje a maioria das boas joalheiras emite certificados de autenticidade dos seus produtos. É interessante porque protege o consumidor de pagar caro por algo que não vale, disse Shirley.
Mania de biju
A coordenadora de processamento Fabrina Demarque Furlan conta que sua descendência espanhola deve ter falado mais alto na hora de explicar o gosto aguçado por acessórios. A jovem adora bijuterias. Desde os sete anos já adorava se enfeitar com elas. Hoje, Fabrina tem verdadeiras coleções de peças e confessa que não consegue ficar muito tempo sem comprar peças novas. São cem colares, 180 pares de brincos e 80 pulseiras.
Ela conta que também tem jóias, mas que prefere guardá-las a sete chaves porque suas peças têm grande valor sentimental. O medo de perdê-las faz com que ela use as peças raramente.
Na hora de comprar as chamadas “bijus”, Fabrina gosta de ser cuidadosa para não pagar mais do que a peça vale.
- Analiso tudo, o tamanho, a cor, as peças, as ocasiões em que posso usá-las e com que roupa devo combinar. Independente do seu valor, eu só uso a peça se de fato valer a pena, disse Fabrina.
Medo inibe jóia
A aposentada Marília Basiel Rocha ganhou sua primeira jóia com dez anos. Foi um par de brincos de ouro de seus avós. As mulheres da família não eram ricas, mas sempre mantiveram o costume de dar jóias de presente nas datas mais especiais como aniversário, Natal e formatura. Com isso, Marília acabou montando sua caixinha de jóias. Dentre as peças, a mais querida é o anel de formatura de professora primária. A peça traz uma larga aliança em ouro, acompanhada de uma grande esmeralda.
- Nem sei quanto deve valer, mas jamais vou me desfazer dele. Foi um presente de meu pai, que mostrava todo o seu reconhecimento pelo meu esforço. Ele não queria que eu estudasse e no fim, o anel foi uma espécie de pedido de desculpas, disse Marília.
Marília não usa o anel no dia-a-dia, mas afirma que jamais tirava do pescoço uma corrente que havia ganhado de sua tia. Foi só quando teve sua corrente arrancada por um adolescente na rua que a aposentada chegou à conclusão de que as jóias devem ficar bem guardadas.
- Naquele dia eu chorei. Fiquei com as marcas das unhas no pescoço e ele fugiu de bicicleta. Não sou apegada aos bens materiais, mas era pelo valor afetivo mesmo que fiquei sentida. Se quiserem me roubar agora, que levem bijuterias baratas. Prefiro minimizar o prejuízo, disse Marília.