Caderno C
Segunda-Feira, 17 de Março 2008 - 22h1
NO ALTAR Participantes da missa de ontem ficaram para a apresentação dos músicos. Hoje será a vez do Madrigal Minaz
Os fiéis de todas as crenças e vertentes podem conferir hoje a trilha sonora ideal para estes dias de reflexão e religiosidade.
A Cia. de Ópera Minaz se apresenta na Catedral Metropolitana com um repertório de música sacra em comemoração a Semana Santa. A apresentação faz parte do projeto “Missa Cantada” que este ano teve início em 19 de janeiro, dia de São Sebastião, padroeiro de Ribeirão Preto. E foi retomado ontem durante a missa das 18h30.
O Coral de Câmara da companhia cantou trechos de obras de Mozart, Schubert e Haendel. Após a missa, a soprano Tatiana Castanheira e a mezzo-soprano Elisa Borges interpretaram, junto a camerata de cordas, com cinco músicos, e a pianista Joanice Corrêa, o Stabat Mater do italiano Pergolesi (1710-1736).
- Vários compositores musicaram o Stabat Mater, que narra o sofrimento da mãe de Jesus durante seu martírio e morte. Mas o de Pergolesi é o mais famoso, explica Gisele Ganade, maestrina da Cia. Minaz.
Meninos Cantores
Hoje, após a missa das 18h30, o Madrigal Minaz apresenta motetos - peças baseadas em textos religiosos - para a Semana Santa, escritos por José Maurício Nunes Garcia (1767-1830), um dos principais nomes da música colonial brasileira. Os concertos vão ser regidos por Gisele que explica que o objetivo da Missa Cantada é levar a música sacra erutida a diversas igrejas da cidade com corais e solistas da companhia.
A maestrina afirma que o projeto continua nos próximos meses. Em abril, os meninos cantores do grupo se apresentam na igreja São Pedro Apóstolo, no Ipiranga. E em maio, os corais adulto, infantil e juvenil vão cantar na Catedral em homenagem a Nossa Senhora.
- Começamos as atividades em dezembro passado e a receptividade foi muito grande. Por isso institucionalizamos o projeto, informa.
Comunidade
Gisele diz que a Missa Cantada é realizada em locais onde a companhia já conhece a comunidade. A maestrina conta que o público da periferia comparece em grande número e sempre elogia o trabalho. Para Gisele, quando as pessoas têm acesso à música erudita, a aprovam sem distinção.
- É uma música que eleva o espírito, ideal para meditar, acredita.
O pároco da Catedral Metropolitana, padre Francisco Jaber Moussa, o padre Chico, concorda com Gisele. Para ele, a música erudita leva à reflexão e introspecção.
- Com o projeto, procuramos fazer este resgate para incentivar a cultura junto ao pessoal que não tem acesso, explica o pároco.
Padre Chico diz que este “resgate” começou com a apresentação da Orquestra Sinfônica ano passado na catedral e agradou aos fiéis.
- É o tipo de música que nos envolve e nos leva a ir de encontro com a nossa espiritualidade, filosofa.
Fã de música erudita, o pároco enumera seus compositores prediletos: Beethoven, Mozart e Johann Sebastian Bach que, apesar de protestante convicto, está no topo da lista do padre.
- A música de Bach supera estas diferenças religiosas. Pra mim, ele sempre foi um grande cristão, ressalta.
História
Mestres fizeram música sacra
A música erudita sacra é própria da tradição religiosa judaico-cristã. A expressão teve sua gênese na Idade Média, quando se decidiu que deveria haver uma teoria distinta para a música das missas e a música do culto.
No Renascimento, os principais compositores foram Des Près e Palestrina. No Barroco, Bach e Haendel, passando pelo Classicismo de Mozart e Nunes Garcia, pelo Romantismo de César Franck e Saint-Saëns e finalmente o Modernismo de Penderecki e Amaral Vieira.
DA REPORTAGEM