Júlio Chiavenato
Segunda-Feira, 17 de Março 2008 - 22h21 Dia 13, a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, repetiu ao presidente Lula o que Henry Kissinger, em 1976, com a guerra fria esquentando e guerrilhas em quase toda a América do Sul, disse aos militares brasileiros: a geopolítica norte-americana é dura e quer a mesma dureza do Brasil. Alguns devem se lembrar da famosa frase de Kissinger: “Para onde pender o Brasil, penderá a América do Sul”.
Dito e feito. Oferecemos “inteligência” à ditadura de Pinochet, o Brasil participou da Operação Condor, a economia brasileira inchou e a Argentina dançou mais do que um tango. Quinta-feira passada, como Kissinger em 1976, Condoleezza Rice embutiu no seu pronunciamento o desprezo ao apoio da Argentina para a geopolítica norte-americana, que visa, principalmente, a Colômbia e, através dela, a Amazônia. E de quebra, talvez enquadrar ou anular o falastrão Chávez e impor obediência aos demais, inclusive à Bolívia.
Assim, como Kissinger, ela “elevou” o Brasil a sub-potência. Porém não há mais ditaduras para executar o que o Tio Sam manda. Bush está em fim de mandato e mesmo que outro republicano maluco ocupe seu lugar, será difícil os norte-americanos aceitarem nova aventura geopolítica, com provável intervenção militar. O argumento de Condoleezza Rice, em termos geopolíticos, é o mesmo usado pelos nazistas para anexar a Áustria e invadir a Polônia: a segurança está além das fronteiras. Criaram o conceito de “fronteiras vivas”, que os militares brasileiros cultivaram a partir de 1920 e aplicaram em 1964, ao Paraguai e à Bolívia. Deu errado: herdamos um problema difícil, especialmente com os paraguaios, se lá a oposição vencer as eleições. Os EUA não mudaram. A América do Sul e o Brasil mudaram.