Opinião
Segunda-Feira, 17 de Março 2008 - 22h22 Representantes da Ordem dos Advogados do Brasil, em Ribeirão Preto, questionam o que chamam de banalização dos grampos telefônicos. É um fenômeno nacional. Em todo o país, em 2007, foram feitas mais de 400 mil escutas por determinação judicial. Este é o número oficial. Deve haver muito mais, considerando-se os procedimentos particulares - feitos por detetives privados ou por gente que decide, por sua conta e risco, invadir a privacidade alheia.
A polícia, que usa o método para investigar crimes, conseguiu desvendar seqüestros e outros intrincados casos através de escuta telefônica. Grampos telefônicos já levaram, no país, também, à exposição de casos cabeludos de corrupção. O procedimento que cresceu dez por cento em todo o território nacional, levou a muitos escândalos políticos. Mas não são só os grampos telefônicos. Grava-se com câmera de celular; com câmera embutida em caneta; com câmeras escondidas em pequenos orifícios no teto. Ressalve-se que técnica pode ser utilíssima em alguns casos muito específicos. Na semana passada, cenas feitas por microcâmeras chocaram o país ao mostrar torturas de duas damas de companhia contra um idoso com Alzheimer.
O problema é quando se adota a tática para conseguir informações de forma pouco ética.
Estamos diante do fato: o risco potencial de invasão de privacidade é cada vez maior. O que se vê nos chamados reality shows é uma metáfora clara do que pode passar a ser, num futuro próximo, um jeito de viver. Expostos, todos, a tudo, em nome de uma insaciável curiosidade e de uma doentia necessidade de exposição. É o que precisamos evitar.