Caderno C
Terça-Feira, 18 de Março 2008 - 22h18
NÃO É FLAUSINO Apesar das semelhanças com o irmão, Sideral percorre outros caminhos musicais
O escritor e dramaturgo Nelson Rodrigues certa vez escreveu que “o mineiro só é solidário no câncer”, e jurou que a frase era de um legítimo filho das Minas Gerais: o escritor e jornalista Otto Lara Rezende. Provocações à parte, é difícil encontrar um mineiro que realmente faça juz à sentença. Dentre a geração dos anos 90 que colocou o estado de Juscelino Kubitscheck novamente no mapa pop, a simpatia prevalece. Integrantes de grupos como Pato Fu, Jota Quest e Skank são exemplos de acessibilidade e modéstia.
Wilson Sideral não foge à regra. O irmão mais novo de Rogério Flausino, vocalista do Jota Quest, é bom de papo e, sem estrelismos, revela que hoje é um artista independente que não espera sentado pelo sucesso.
- Já gravei dois discos por uma grande gravadora e hoje tenho meu próprio selo, explica.
O novo CD do cantor e compositor, “Dias Claros”, é o segundo lançamento da gravadora Sideral Experience em parceria com o selo gaúcho Antídoto, que vai fazer a distribuição na região sul do país, considerada “fechada” para artistas de outros estados.
- Conseguimos entrar neste filão e por isso vamos fazer um trabalho de divulgação forte por lá, informa.
Sideral diz que hoje em dia o músico tem muito mais condições de produzir e de divulgar seu trabalho sem o apoio das multinacionais. Tudo isso graças a leis de incentivo, patrocínios e bons contatos nas rádios comerciais. O mineiro diz que consegue isso sem o pagamento do habitual “jabá”.
- Hoje não é preciso pagar 20 mil reais para tocar na rádio, mas é possível realizar shows e promoções em troca de execução de uma música, por exemplo, ressalta.
Nascido em Alfenas, interior de Minas, Sideral mudou-se para Belo Horizonte há 14 anos, onde vive até hoje com a esposa e o filho pequeno.
- Morar no interior é complicado para seguir a carreira de músico profissional, por isso mudei para “Beagá”, conta.
O músico diz que, mesmo com o sucesso, os artistas mineiros dificilmente deixam a capital do estado em troca do eixo Rio-São Paulo.
- Eu adoro São Paulo, mas Belo Horizonte é uma capital relativamente mais calma e em alguns lugares, ainda tem aquele clima de cidade do interior, revela.
Apesar de fazer um som que pouco ou nada lembre a tradição folk/rural/MPB da geração do “Clube da Esquina”, Sideral diz ser um grande fã da música feita por Milton Nascimento e cia.
- O que eles fizeram tem uma qualidade incrível, reconhecida no mundo inteiro. É uma influência para a minha vida e para o meu trabalho, resume.
Para provar que não está fazendo média quando elogia a velha geração mineira, o artista diz que ainda este ano deve gravar um DVD com um show ao vivo em Congonhas, cidade histórica que abriga as obras de Aleijadinho, com a participação de associados do Clube da Esquina.
- Quero celebrar os 10 anos de minha carreira com vários convidados que representam diversas gerações da música de Minas, garante.
Para a apresentação de hoje a noite em Ribeirão Preto, Sideral promete unir sucessos dos dez anos de carreira com canções do novo CD.
- Não vai ser um repertório pequeno porque quero apresentar muitas músicas. Estamos no começo da turnê e por isso estamos moldando o show, diz.
Sideral afirma também que vai tocar o mega-hit “Fácil” escrito em parceria com o irmão Rogério Flausino e que fez sucesso com o Jota Quest.
- Mas vai ser num formato acústico, com arranjo para violão e voz, avisa.
Serviço
Wilson Sideral e banda
Hoje no Espaço Villa das Flores, a partir das 22h.
Rua Marcondes Salgado, 1.620
Inf.: (16) 3635-7574