Márcio Bernardes
Terça-Feira, 18 de Março 2008 - 23h0 (São Paulo) - Alguns jogadores têm caráter e personalidade incontroláveis. Não é apenas falta de educação, formação e moral. Nem porque a maioria vem das camadas mais baixas e por isso não houve acesso desde a infância a mínimos ensinamentos de bom relacionamento entre seres humanos. Conheço muita gente de favela, gente humilde e que desde há muito vive com dificuldade. Mas mesmo assim porta-se com noções do que é bom relacionamento. Tem educação e não sai por aí agredindo as pessoas.
Leonardo, ex-lateral e meia do Flamengo, São Paulo, entre outras equipes, atualmente dirigente do Milan, fala cinco idiomas e sua origem é de classe média. Ele protagonizou uma cena lamentável na Copa dos Estados Unidos. A agressão sobre o americano Tab Ramos foi tão cruel que não me lembro de ter ouvido nenhuma voz que o defendesse.
Conheço Leonardo há muito tempo. Considero-o um homem diferenciado entre os jogadores de futebol. E não entendo a razão dele ter tomado àquela atitude. Muitos anos depois, com a carreira já encerrada, perguntei-lhe se ele poderia dar uma explicação para o fato. Seus olhos lacrimejaram, sua voz embargou e eu tive a certeza de que nem ele teria uma justificativa para tamanha covardia.
No esporte de contato é normal choques e contusões. Desde que não haja dolo. Desde que o instinto selvagem não se aflore. Por isso os tribunais e a sociedade devem reprimir e condenar veementemente os atos de violência.
Kleber foi maldoso e impiedoso com André Dias no clássico de domingo em Ribeirão Preto. Como escrevi ontem, o árbitro interpretou o lance sem a gravidade que as cenas das fotos e televisões mostraram. O cartão amarelo transformou-se em injustiça. O atacante mereceu o vermelho. Agora o Tribunal da Federação deve aplicar-lhe uma pena sem piedade. Para que ele aprenda a saber conviver com os contrários. Inclusive no esporte e numa disputa de bola.
Ronaldo e Pelé
Já sabia que Ronaldo descarregaria um caminhão de melancias em Pelé. A declaração do Rei na semana passada tem as suas razões, mas poderia ser evitada. É verdade que o atacante do Milan está mais velho do que na época que ele sofreu as duas outras contusões. Também é verdade que a recuperação é mais demorada e complicada. Mais verdade ainda é que Ronaldo esteja no fim da carreira. Por isso, rico e milionário, terá de redobrar a motivação para superar o longo tempo de tratamento.
Pelé, não sei se por maldade ou ingenuidade, poderia omitir sua opinião dos riscos que o artilheiro está correndo. Tem coisa na vida que não precisa ser dita. Agora Ronaldo volta suas baterias contra o Rei e relembra todas as suas previsões anteriores que acabaram não se confirmando. Em síntese ele disse que Pelé sempre foi um craque. Mas o Edson quando fala é uma perna-de-pau.