Jornal A CIDADE

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Júlio Chiavenato

Terça-Feira, 18 de Março 2008 - 23h5

Pazzo


No Brasil o ano político começa depois do carnaval. Mas é quaresma, eles esperam a páscoa. Em Ribeirão Preto não se sabe quando começa e acaba o ano político. Nossa única certeza na vida pública são as enchentes. Elas chegam com data e hora marcada. E nunca terminam. O ano que vem tem mais.
O que fazem os políticos de Ribeirão Preto? As enchentes são eternas, a cidade está esburacada, faltam creches; saúde e educação todos sabem como funcionam, as mordomias vão parar na justiça (o povo só fica sabendo quando o Ministério Público investiga).
A máquina administrativa funciona sem os políticos. Na verdade, eles atrapalham. Se os funcionários da saúde, da educação e de todos os setores trabalhassem com liberdade, tudo andaria melhor. Mas os políticos interferem, nomeando pessoas sem experiência e qualificação profissionais para gerir áreas específicas, manipulam ações em favor de amigos e distribuem empregos em troca de vantagens da politicanalha.
Aumentam impostos e arrecadam mais. Quanto mais os contribuintes pagam, menos serviços têm. E o menos ainda é pior. Alguém pode dizer que é exagero. Então dê uma volta de ônibus pela periferia urbana, pergunte quanto pagava e quanto paga de IPTU a gente pobre e como está a escola dos filhos, o postinho de saúde etc.. Cuidado: desvie-se dos buracos nas ruas e dos esgotos vazando cocô. Os mais sensíveis devem visitar os bairros pobres com o nariz tampado, pois vai encontrar esgoto a céu aberto em rua asfaltada.
Sempre que termino qualquer texto para jornal lembro do finado, bondoso Edmundo Romano, meu patrão durante anos. Quando resmungava que de nada servia reclamar, do alto da sua sabedoria simples ele dizia: serve pra você encher o espaço, “pazzo”.

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