Júlio Chiavenato
Quarta-Feira, 19 de Março 2008 - 23h38 Os jornais gritam em manchete a crise econômica dos Estados Unidos. Não é à-toa que o jornalismo é idiota. A crise, cíclica no capitalismo, passa. O importante é que os ricos continuarão ricos e os pobres, mais pobres. Esta é a lição que os bocós não aprendem: vivemos o sacramento da institucionalização da pobreza, que depois das crises “resolvidas” são mistificadas como bonança econômica pós-abalos financeiros.
É o que tem acontecido nos últimos séculos. No Brasil estamos na fase da “bonança”: os pobres grudam telefones portáteis na orelha, comem mais amido e massas, e acham que “melhoraram de vida”. Nem pensam em educação para os filhos, entregues ao tráfico, ao sexo irresponsável, às drogas e ao não futuro.
Nos EUA a crise é apenas mais um sintoma. A pobreza tem aumentado. Segundo o U.S. Census Bureau, espécie de IBGE gringo, 12,5% dos norte-americanos estão abaixo da linha de pobreza (37 milhões de pessoas). A família média norte-americana precisa para suas necessidades básicas uma renda de US$ 35 mil anuais. Mas os 37 milhões de pobres conseguem cerca de US$ 19 mil. Em 2000 os pobres eram 11,3% da população. Subiram para 12,5% em 2006 e hoje já estão beirando os 16%. A “alta” é fantástica e reflete a institucionalização da pobreza que lá, tem aspectos mais graves do que nos países subdesenvolvidos.
Nos EUA 24,7% dos negros, 24,3% dos indígenas, 21,9% dos hispânicos, 9,8% dos asiáticos e 8,6% de “brancos”, compõem o time dos pobres, que tem um componente racista evidente. Em compensação, lá estão as maiores fortunas do mundo, lideradas pelo gênio Bill Gates, o esperto que vende essa porcaria onde eu batuco essas linhas. O jornalismo é idiota mesmo. Mas todos os jornalistas precisam ser?