Caderno C
Quinta-Feira, 20 de Março 2008 - 23h19
ELE TEM A FORÇA Heston abre o Mar Vermelho - ponto alto do filme
Se você leitor, não vai muito à igreja e nunca foi de ler a Bíblia, o cinema pode lhe servir de ajuda nesta caminhada didático-religiosa. Até o dia 27 de março, o Cineclube Cauim está com uma programação de filmes bíblicos que marcaram época em Hollywood e adjacências.
O Especial Semana Santa exibe épicos que contam a história dos principais personagens do imaginário judaico-cristão desde o Velho Testamento até a Idade Média.
- São filmes que nós aqui do Cauim temos direito de exibição. Então a idéia foi ressuscitar aquele negócio de filme bíblico no interior, explica Fernando Kaxassa, presidente do Cineclube.
Kaxassa revela que os filmes escolhidos passaram por avaliação do arcebispo de Ribeirão Preto Dom Joviano de Lima Júnior.
- É tudo gratuito. É uma forma de trazer as pessoas que não têm muito acesso ao cinema, informa o presidente do Cauim.
Os Dez Mandamentos
A programação começou ontem com a exibição do longa-metragem (e bota longa nisso) Os Dez Mandamentos, de 1956 com Charlton Heston no papel principal. O filme tem sessões ainda hoje, amanhã e domingo (confira a programação).
Dirigido por Cecil B. De Mille, o épico tem quase quatro horas de duração e conta a história de Moisés no melhor estilo grandiloqüente do diretor De Mille. Na época os efeitos especiais do longa deixaram as platéias embasbacadas, hoje parece coisa de criança e deve divertir os menos fiéis.
Ponto alto: A cena em que Moisés/Heston abre o Mar Vermelho ainda é formidável.
Curiosidades: na época do filme, o ator principal era o exemplo de liberalismo político saindo às ruas em nome dos direitos civis e coisas do tipo. Anos depois, Heston tornou-se ultra-conservador e hoje é presidente da National Rifle Association, que defende, entre outras coisas, o direito do homem branco se armar até os dentes.
A Maior História de Todos os Tempos
Este é um dos filmes menos conhecidos sobre a vida de Jesus Cristo, dirigido em 1965 por George Stevens, cineasta errático que tem no currículo “Onde Caminha a Humanidade”.
Ponto alto: o elenco, com certeza. Que outro filme traria atores tão aparentemente incompatíveis para os papéis como o bergmaniano Max Von Sydow, o caubói John Wayne e o Kojak em pessoa, Telly Savalas?
Curiosidade: o filme em si já é um fato curioso. Mas vale lembrar que quase dez anos depois, o sueco Max Von Sydow, que vive Cristo aqui, seria o padre de “O Exorcista”. Vade retro!
São Francisco de Assis
Mais conhecido nos cinemas como “Irmão Sol, Irmã Lua”, este filme da década de 70 é a melhor coisa da programação de Páscoa do Cauim. Dirigido pelo beato Franco Zeffirelli centra-se nos anos de juventude de Francisco de Assis.
Ponto alto: comandado sem exageros por Zefirelli, mostra um São Francisco rebelde e oportunamente meio hippie. O encontro do santo com o papa no final do filme é um libelo contra os abusos da igreja.
Curiosidade: anos depois Franco Zefirelli dirigiria “Jesus de Nazareth”, bem inferior a este “São Francisco” e radicalizaria ainda mais seu discurso de coroinha. Tanto que amaldiçoou Martin Scorcese por “A Última Tentação de Cristo”.
A Canção de Bernardette
Bernadette Soubirous é uma menina de 14 anos, vive doente, tem uma visão de uma “bela senhora” e nunca mais volta a sofrer com sua doença. Além disso, uma fonte aparece repentinamente próximo do local de sua visão e parece ter o poder de curar as doenças de quem se banha nela.
Ponto alto: a direção de Henry King é sempre um ponto a favor, apesar de ser um filme menor em seu currículo.
Curiosidades: A bela Jennifer Jones ganhou o Oscar de Melhor Atriz em sua estréia no cinema. O filme também ganhou Oscar nas categorias melhor fotografia, trilha sonora e direção de arte em 1943. No elenco, vale conferir a presença de Vincent Price, mais conhecido por filmes de terror B, num filme religioso.
David e Betsabá
O rei David se apaixona por Betsabá, a mulher do melhor de seus soldados, Uriah. Por causa disso, trai o heróico capitão, levando-o à morte e provoca a fúria de Deus. Outro filme dirigido por Henry King em 1951.
Ponto alto: a canastrice de Gregory Peck contrasta com a competência de Susan Hayward. Mas a história em si, que revela a fraqueza moral de um herói, um dos mais complexos entre os personagens hebreus, vale o filme.
Curiosidade: Susan Hayward ganharia o Oscar sete anos depois por sua interpretação na fita “Quero Viver”, onde vivia uma garçonete acusada por um homicídio e que é executada numa câmara de gás. Morreu em 1975 com um tumor no cérebro.