Vicente Golfeto
Quinta-Feira, 20 de Março 2008 - 23h38 Gamos, em grego, é união, casamento. Unir-se, então, é copular, transar. Assim, quando alguém está gamado é porque deseja se unir, transar. E, na hipótese mais definitiva, casar-se. A célula da reprodução, gameta, tem palavra que igualmente vem de gamos.
Mas a sabedoria mais que milenar dos gregos, quando encontra a rica imaginação do brasileiro, amplia e aprofunda as explicações.
Todos nós – acreditamos – conhecemos uma vegetação muito comum em muros e paredes, tanto urbanas quanto rurais, de residências brasileiras. Popularmente chamamos esta vegetação de trepadeira. À primeira vista, o nome através do qual esta vegetação é conhecida deve-se ao fato de ela subir, trepar nas alvenarias, nos muros, nas paredes externas das construções. Há muita gente que gosta de trepadeiras, inclusive porque – realmente – embelezam as edificações. Mas há os que dizem que elas só aumentam o trabalho de quem cuida das casas, além de gerar gastos com jardineiro. Questão de opinião.
Mas, de onde viria o nome trepadeira mesmo? Qual a razão?
Outro nome – pelo qual é até tão bem conhecida quanto o de trepadeira – é hera. Hera é a deusa grega do casamento. Ela era a paraninfa dos gamos. Portanto, dos casamentos. Como paraninfa – ninfa, na mitologia grega, era a noiva – ela ficava ao lado da noiva. Segue-se então que Hera se constituía numa presença obrigatória nos casamentos. Não podia haver casamento sem padrinhos. Ou paraninfos. O nome popular é trepadeira. Mas hera – ou será Hera? – é uma homenagem ao casamento. Você prefere denominar a vegetação de Hera ou de trepadeira? O povo sabe das coisas, não é mesmo? Além de copular, transar, que nós mencionamos acima como desejos de quem está gamado, há outro, já homenageado pela sabedoria popular. É trepar. Trepadeira. Hera. É por isto que se diz que “quando acaba o sexo, acaba o casamento”. Mas, a partir daí, pode começar o amor.