Hamilton de Andrade Lemos
Quinta-Feira, 20 de Março 2008 - 23h40 Dia interessante para tocar no assunto. Documentário recente mostrado pela BBC de Londres dá novas versões para a crucificação de Jesus. Nele vemos o Cristo preso pelos punhos, traspassados por cravos, porém com as mãos para cima. As pernas estão dobradas, e não estendidas, conforme o crucifixo da parede.
Longe da intenção de modificar um símbolo cristão, o estudo baseou-se em pesquisas históricas dos castigos romanos.
A lista de flagelos é grande, cada um pior que o outro, todos com o objetivo de causar tanto horror quanto possível na população. A despeito de toda esta discussão, dois mil anos após o fato, o maior equívoco contido nesta questão é que ainda não conseguimos tirar Jesus da cruz.
Outro, menos grave, é histórico e sintomático da ignorância das origens das coisas.
Na Sexta-feira da Paixão, me lembro bem que colocavam sobre a estátua de Jesus um manto roxo, uma representação do messias morto. O manto era roxo por herança do período barroco, onde esta cor contracenava com o dourado em todos os exageros da forma.
Utilizado nesta cena, ficou o roxo ligado à Paixão de Cristo, posteriormente dando nome à flor do maracujá que, sendo também roxa, ficou conhecida como a flor da paixão. Seu fruto, por sua vez, tornou-se o fruto da paixão.
Desconhecendo este fato, enamorados declaram-se às suas amadas dizendo que “provaram o fruto da paixão no doce mel de sua boca”, ou qualquer besteira do tipo.
E ainda pior: chega uma fábrica de calcinhas e sutiãs e adota o nome de Fruit de la Passion, com mocinhas provocantes na propaganda.
Fala sério! Vê se eu posso com uma coisa dessas.