Opinião
Quinta-Feira, 20 de Março 2008 - 23h40 Enquanto uma mãe denuncia uma professora da rede estadual de ensino, em Batatais, por uma suposta agressão ao filho de onze anos - com as negativas veementes da Secretaria Estadual da Educação - em Ribeirão Preto um gesto dos mais raros, e nobres, chama a atenção. Um aposentado encontra uma carteira com mais de sete mil reais. Espera que o dono a procure, mas, como isso não acontece, vai a um posto da Polícia Militar para entregar o achado.
Não teria nada demais se não fosse uma quantia bem superior à que ele recebe durante um ano inteiro de magras pensões do INSS. Por isso mesmo, a atitude ganha uma conotação de exemplar integridade, em tempos em que honestidade é virtude de muito poucos.
No país da lei de Gerson, em que a maioria é levada a só querer vantagens, este homem, cujo nome é José Luís da Silva, vira notícia. Com todos os méritos.
Quanto à questão da escola pública, em Batatais, é importante frisar que o alunado perdeu de há muito a inocência que o colocava acima do bem e do mal. Não são poucos os casos de professores agredidos em sala de aula pelos estudantes.
De qualquer forma, o garoto estava na escola e apareceu machucado. O mínimo que se espera é que a Secretaria da Educação tenha a mais cristalina transparência para apurar, com rigor, em que circunstâncias isso aconteceu. Professor não pode ser agredido na escola. E aluno também não. Se não houve agressão, que se esclareça isso, de forma convincente. Quanto a José Luís da Silva, este nobre e bom aposentado brasileiro, que seu gesto se multiplique e dê muitos frutos.