Jornal A CIDADE

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Júlio Chiavenato

Sexta-Feira, 21 de Março 2008 - 19h54

Malhando os Judas


Se o que não é proibido é permitido, furtar pode. Não há nenhuma lei proibindo o roubo, o furto, a falcatrua. Nem algum dispositivo proibindo o “levar vantagem” e as mordomias que o dinheiro do povo proporciona aos nossos nobres políticos. Esta parece ser a lógica brasileira em geral e a de Ribeirão Preto em particular.
Como corolário a essa lógica esperta, a legislação protege os que furtam, “levam vantagens” e gastam o dinheiro do povo em proveito próprio, quando eles são injustamente acusados de desonestos pelos chatos. Como sabemos, são raros os senadores, deputados, vereadores e prefeitos, além dos governadores e dos presidentes que essa pátria amada teve, que furtam e usam a grana dos contribuintes para enriquecerem e desfrutarem das mordomias disponíveis.
Até prova em contrário todos são honestos, bons e inocentes. Já que é assim, se nada é proibido desde que o jurista Caetano Veloso decretou que é proibido proibir, ninguém deve ser condenado. Por isso nossa legislação é perfeita e elástica ao não punir nem pôr na cadeia os corruptos e sequer obrigar os ladros a devolverem a grana furtada.
Uns poucos que esquecem de apagar as digitais e comprometem o sistema precisam ser enquadrados. São dois ou três, como o juiz Lalau, que curte cadeia especial injusta, claro, porque tem mais de 70 anos e, afinal, dinheiro público não tem dono. Nem está escrito na lei que é proibido meter a mão de gato.
Se pensam que estou fazendo gracinha, mostrem-me uma realidade contrária a esta. Daí porque não há dúvida que nossos vereadores podem e devem circular em carrões de luxo, com motorista particular pago pelos contribuintes e ainda se afogarem em suco de frutas. Onde está escrito que isso é proibido?

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