Hamilton de Andrade Lemos
Sexta-Feira, 21 de Março 2008 - 19h55 Há muito tempo parei de contar quantas pessoas, entre amigos, conhecidos, colegas e familiares, vêm contar que estão com depressão. Seja qual for a conta, sempre adiciono mais um, que sou eu mesmo. Fazer o quê? Parece que se tornou impossível viver o mundo moderno sem esta peste.
Como não sou psicólogo, psiquiatra e não quero ser processado por exercer ilegalmente a medicina, recorro somente a conselhos que tiveram algum valor no meu caso. Veja se servem para você. Se não, guarde na gaveta, pois nunca se sabe o dia de amanhã.
Minha primeira constatação é de que a vida dói mesmo. Não digo que seja ruim. Pelo contrário, parece mais uma injeção: dói, mas faz bem. É preciso acostumar-se de que deprimir é normal e necessário, às vezes. Só o chato nunca se deprime.
É preciso também que se dê nome aos bois. Depressão virou genérico para tristeza, angústia, melancolia, preguiça, estafa, desânimo e tantas outras emoções (e sensações). Coloque cada coisa em seu devido lugar e o problema já fica bem menor.
Encontre uma cenoura. Não é para comer e nem para o prazer sexual. A cenoura de que falo é aquela colocada na frente do burrinho, amarrada a uma vara, que faz com que o animal mantenha-se em movimento, tentando alcançá-la. O burrinho, desculpe, somos nós, e a cenoura é a motivação que criamos para hoje, amanhã, o ano que vem e daqui a cinco anos. Não precisa ser nada grandioso, mas que inspire sua vontade.
Por fim, defina seus medos, sem medo. Alguns são fáceis de identificar, outros nem tanto. Mas aposto como a raiz de sua depressão está coladinha neles. Ah, claro, e consulte um psiquiatra ou psicólogo regularmente. Ele é amigo!