Boa Viagem
Sabado, 22 de Março 2008 - 13h53
AVENTURA Alexandre busca novos ângulos para observar a paisagem
Os verdadeiros espetáculos promovidos pela abundância de água e a imensidão de seus quenions fazem da Chapada Diamantina um dos destinos de ecoturismo mais apreciados em todo o mundo. Para quem quer conhecer esse lugar impressionante no coração da Bahia, a dica é se desapegar do conforto e levar na bagagem muita disposição.
É na chapada que nascem todos os rios das bacias do Paraguaçu, do Jacuípe e do rio de Contas. Daí a sua riqueza de cachoeiras e piscinas naturais. A cachoeira da Fumaça é um dos maiores atrativos naturais, com 380 metros de queda livre. É na chapada que estão os dois pontos mais altos do Estado da Bahia: o Pico do Barbado (2.033 m) e o Pico das Almas (1.958 m). Uma das curiosidades é que em toda a chapada é possível encontrar comunidades esotéricas e alternativas. O Vale do Capão é um dos mais atrativos para essas comunidades.
O Parque Nacional da Chapada Diamantina, criado em 1985, abrange uma área de 152 mil hectares, incluindo os municípios de Andaraí, Ibicoara, Itaetê, Lençóis, Mucugê e Palmeiras.
Capital do diamante
A principal cidade da Chapada Diamantina é Lençóis. A cidade foi conhecida como a capital do diamante durante o período em que o Brasil era uma colônia portuguesa. Desde 1973, a cidade com casas preservadas do século 19, foi tombada e se tornou patrimônio histórico nacional. Logo após o fim da mineração no país, foi criado o Parque Nacional da Chapada Diamantina e o turismo passou a ser fonte de desenvolvimento para a região.
A cidade, cercada de pequenos municípios, conseguiu desenvolver uma infra-estrutura boa para os turistas. São 20 mil leitos de hospedagem, agências e guias. A cidade ainda dispõe de um aeroporto.
O visitante deve conhecer em Lençóis a Cachoeira Primavera. No local existe um mirante de onde é possível ter uma bela e ampla visão do vale ao redor da cidade. Há também a trilha da Cachoeira do Sossego, feita junto ao leito do rio, com belas paisagens.
A quatro quilômetros da cidade o visitante pode se deliciar com mergulhos incríveis. O rio Mucugezinho corre em trechos de lages naturais, com formações de crateras e tobogãs. O Poço do Diabo é perfeito para os mergulhos. Já a Gruta do Lapão apresenta uma fenda de 40 metros, considerada ideal para a prática do rappel.
A cidade ainda oferece as cachoeiras do Mosquito e do Mixila, que têm belezas naturais consideradas raras.
Vegetação e lendas
O mergulhador profissional e montanhista João Carlos Figueiredo esteve com a filha Luciana em 2006 na chapada e disse que não poderia deixar de destacar a riqueza da vegetação do cerrado, repleta de floradas e plantas medicinais. De acordo com ele, a água é limpa em todos os rios, riachos e cachoeiras da região.
Para quem gosta de apreciar belas e curiosas formações rochosas, vale a pena conhecer a Gruta da Torrinha, uma das cavidades naturais mais ricas em formações rochosas internas, onde há uma significativa quantidade de flores de aragonita (populares flores de cristal) e agulhas de gipsita
De acordo com ele, as lendas locais fazem parte da riqueza cultural da cidade. A maioria sempre ligada à figura do garimpeiro e aos crimes pela posse de diamantes. As pedras da região eram consideradas valorosas e extremamente belas.
- A Chapada Diamantina é um dos melhores destinos de ecoturismo no Brasil, disse Figueiredo.
Programa alternativo
O pesquisador Luís Augusto Iba afirma que a trilha do Vale do Pati é uma excelente dica para quem quer conhecer lugares alternativos, fora das rotas tradicionais para turistas. A trilha é feita a pé e leva no mínimo três dias para ser percorrida. Durante o percurso, existem cerca de cinco residências prontas para abrigar quem faz a trilha. No caminho, cachoeiras e formações geológicas únicas, com uma beleza inspiradora.
- A grande vantagem de fazer a trilha é poder passar por dentro da chapada e conhecer profundamente suas belezas, disse o pesquisador.
De acordo com ele, a trilha é pouco divulgada entre os brasileiros e durante o percurso é possível encontrar mais estrangeiros turistas do próprio país.
Iba avalia que para se aventurar na trilha é preciso ter um perfil de ecoturista porque é uma longa caminhada que exige preparo físico e disposição acima da média. Além disso, quem ousa percorrer a trilha tem que deixar o conforto de lado. Os banhos gelados de cachoeira viram rotina durante a caminhada e o visitante não está livre de enfrentar chuvas, por exemplo.
- O ideal é que o turista contrate um guia e faça o trajeto com um grupo de pessoas, completa Iba.
Região da Chapada tem resorts, pousadas simples e albergues
O advogado Alexandre Veloso Rocha esteve na chapada na passagem de ano entre 2005 e 2006. A viagem foi feita de carro junto com um amigo. Rocha disse que a viagem pode ser feita por pessoas de todas as idades e que a hospedagem é muito tranqüila. Ele ficou no município de Lençóis e não teve dificuldades para se hospedar, mesmo não tendo feito as reservas antecipadamente. De acordo com ele, o lugar oferece desde resorts até pousadas mais simples e albergues. Na cidade, a arquitetura antiga é um dos pontos fortes para o visitante.
Na sua opinião, o visitante não deve deixar de conhecer a Gruta Azul, o Morro do Pai Inácio e a Cachoeira da Fumaça, entre outros lugares.
A gruta conta com um lago interior com águas extremamente transparentes. Conforme bate um feixe de luz nas suas águas, é possível ver o fundo a cerca de 60 m. Já o Morro do Pai Inácio é um gigantesco quenion em pleno interior do Brasil e a Cachoeira da Fumaça é a segunda mais alta do país.
O advogado disse que para ir de carro é preciso paciência porque as estradas são bem danificadas e passar rápido em alguns trechos significa prejudicar o veículo. Mas, para quem quer ir de ônibus, por exemplo, a viagem também é relativamente tranqüila. O turista pode ir de avião até Vitória da Conquista, Feira de Santana ou Salvador e seguir de ônibus para a cidade de Lençóis, por exemplo. As cidades têm várias agências especializadas em oferecer transporte ou guias para os passeios.
Rocha aconselha o turista a esquecer as baladas porque a noite não é agitada nas cidades.
Saia cedo da cama
Na chapada o turista tem de ir para acordar antes das 7 horas e aproveitar ao máximo o dia, até porque alguns dos principais pontos turísticos ficam distantes das cidades. A Gruta Azul, por exemplo, fica a 70 quilômetros de Lençóis. Rocha disse ainda que os gastos na Chapada Diamantina costumam ser inferiores aos que os paulistas costumam ter nas viagens ao litoral e que é possível fazer os passeios sem pagar por guias. A vantagem de ter um guia é a de evitar perda de tempo e de entender melhor a história e a natureza dos lugares.
Já o fotógrafo publicitário Paulo Vilela afirmou que preferiu ir até a cidade com um carro alugado. Ele sugere ao turista que saia de Ribeirão com destino à chapada, que dê preferência a viajar apenas durante o dia. Como a região é bem quente, ele sugere que o visitante leve pelo menos uma muda de roupa de frio, mas majoritariamente roupas leves e bem confortáveis.
Outra dica é levar dinheiro vivo e trocado. As cidades não costumam ter caixas eletrônicos. Para ele, o turista deve evitar tomar água da torneira na chapada porque normalmente ela não recebe tratamento. O visitante também não pode se esquecer de levar uma máquina fotográfica e dinheiro no bolso para pagar os passeios. As visitas aos pontos turísticos têm cobrança de taxas em torno de R$ 15.