Sérgio Mascarenhas
Sabado, 22 de Março 2008 - 14h2 O desenvolvimento socioeconômico de um país, em qualquer ponto do mundo e em qualquer tempo, sempre será fortemente dependente de seu desenvolvimento em ciência, tecnologia e inovação (CTI).
Recentemente o mundo globalizado tomou conhecimento de dois fatos inusitados por um dos mais importantes veículos mundiais de CTI, o Scientific American:
1 - Pela primeira vez na história do Brasil um presidente da nação pública um artigo com um cientista brasileiro!
2 - Este mesmo cientista, Miguel Nicolelis, anuncia um dos mais espetaculares feitos na fronteira do conhecimento humano, o cérebro: Nicolelis e equipe colocaram um chip no cérebro de um macaco, e conseguiram transmitir dos EE.UU. ao Japão sinais do pensamento condicionado do macaco, ao seu movimento numa esteira, que movimentou semelhantemente um robô no Japão!
3 - No mesmo número da famosa revista em longa entrevista, da qual tive a honra de participar, Nicolelis e Sidarta Ribeiro, outro notável e mais jovem cientista da equipe, mas igualmente brilhante e reconhecido mundialmente, descrevem o que já está sendo realizado no Instituto de Neurociências de Natal, no nordeste do Brasil.
A história deste Instituto é um verdadeiro novo paradigma para o Brasil e para os países em desenvolvimento! Lá Nicolelis realiza não só pesquisas de padrão internacional, mas ataca fundo os grandes desafios brasileiros: educação e política de oportunidades sociais para crianças e jovens do Nordeste. Como se não bastasse Nicolelis, Sidarta e equipe estabeleceram algo exemplar e inusitado no Brasil: colaboração financeira de grandes empresários esclarecidos do Banco Internacional Safra: por isso o Instituto foi nomeado Instituto Internacional e Safra! Empresários brasileiros estão sendo chamados a este exemplo, onde ao invés de enviarem dólares para paraísos fiscais, ajudam o verdadeiro desenvolvimento virtuoso do Brasil, que certamente beneficiará a todos, inclusive a estes empresários que aprenderão que sem a contribuição deles, o Governo sozinho não poderá arcar com tais empreendimentos de longo prazo.
Na Coréia do Sul, a proporção de investimentos em CDI é 70% privada e 30% estatal. Estamos exatamente com o contrário destas proporções no Brasil! Em 30 anos a Coréia tornou-se um gigante global, partindo de números semelhantes aos do Brasil! Mas cabe aqui uma magnífica observação, Nicolelis e equipe, não são o único exemplo! Há mais de 35 anos graças ao Conselho Nacional de Pesquisas, CNPQ, estabeleceu-se no próprio Nordeste, no Recife, um grupo de cientistas sob a liderança notável de um físico carioca: Sérgio Machado Rezende. Em poucos anos a Física do Recife, tornou-se referência da mais alta qualidade em CTI não apenas no Brasil, mas mundialmente. A partir deste grupo uma verdadeira explosão de qualidade e inovação e mais interdisciplinar: física, química, informática, gestão em CTI, com concurso do Governo, e de alguns empresários locais, educação para a ciência através de um espetacular centro e museu o agora famoso Espaço Ciência, cujo diretor Antonio Carlos Pavão explodiu mundialmente com a sua descoberta experimental da Bola de Raios Elétricos, que ocupou a mídia de todo o mundo em primeiro lugar disparado. Tudo isso no Nordeste, mostrando que o Brasil tem talentos de sobra e educação científica de menos... Hoje Sérgio Rezende é o Ministro da Ciência e Tecnologia e está transformando a CTI no Brasil.
Nicolelis e equipes, Sérgio Rezende e equipes são pioneiros da Ciência, Tecnologia e Inovação no Brasil e no Mundo! O Brasil não pode ser apenas Sul e Sudeste - maravilhas na ciência. Temos que implantar CTI no Brasil inteiro. Centros emergentes têm que ser fortalecidos e nucleados a partir de Centros Avançados. Soube que se não fosse a intervenção vigorosa do Ministro Sérgio Rezende, os orgãos do Sul-Maravilha teriam torpeado solicitações de apoio do grupo de Nicolelis e Sidarta. Aconteceu o mesmo com o grande Carlos Chagas, que sozinho em um vagão de estrada de ferro, fez a maior descoberta da Medicina Brasileira: a doença de Chagas, seus vetores e toda a etiologia da patologia. Foi indicado ao Prêmio Nobel, pelo grande Oswaldo Cruz, mas seus próprios colegas caluniaram-no brutalmente e perdemos o primeiro prêmio Nobel para o Brasil. O mesmo não poderá acontecer com Nicolelis, Sidarta e equipe, fortes candidatos ao Nobel, se livres da inveja e da pequenez dos medíocres que os tentam desqualificar!
Prêmio Nobel já! para o Brasil e para a auto-estima de todos os países em desenvolvimento, suas crianças e jovens cientistas do futuro. Na ilustração minha e do Alfonso o Deus bifronte Janus, mira o passado com Sérgio Rezende e o presente e futuro com o genial Nicolelis, ambos no Nordeste, pioneiros da Ciência no Brasil. Amém!
*Sérgio Mascarenhas é diretor do Instituto de Estudos Avançados da USP-São Carlos