Jornal A CIDADE

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Vicente Golfeto

Sabado, 22 de Março 2008 - 18h33

Felicidade de Páscoa


Hoje comemoramos, como cristãos, a páscoa da ressurreição. É a festa mais importante do cristianismo porque “se Cristo não ressuscitou, então é vã a nossa fé”.
Quando dizemos mais importante, anotamos que se trata de data mais significativa até do que o Natal. Esta realidade nos induz a reflexões.
Comecemos pelo passado – quem tem passado para sobre ele refletir – que vai se modificando mesmo não sendo modificado. Porque quem se modifica mesmo não é o passado. É o olhar que fazemos sobre ele.
A felicidade é companheira da saudade. Ambas moram no que já foi. Sim, quando Ataulfo Alves diz, em um dos seus versos, que “eu era feliz e não sabia”, insinuava que a felicidade nunca é sentida no presente, apesar de sempre esperada no futuro. Nós somente dela nos apercebemos depois que ela foi-se embora. Que é o que ocorre com os anos dourados da infância, com os anos normalmente inquietos da adolescência e da juventude e mesmo – dos que já o tiveram – dos tempos do início da maturidade.
Parece que a felicidade não é deste mundo. Ou é, mas dela nós somente nos apercebemos depois que ela se retirou, depois que ela seguiu em frente. É por isto que ela mora no passado enquanto sentimento mas habita em alguns momentos do presente enquanto fantasia, fantasma que nós não conseguimos ver e nem dele nos aperceber.
Diz o poeta que uma das maneiras de se atingir a felicidade é ser feliz com a felicidade dos outros. Eis exatamente uma meta difícil de se atingir porque agride a condição humana, toda ela construída sobre o ego. Gore Vidal sintetiza bem o que estou afirmando quando diz: “não basta vencer. É preciso que os outros também percam”.
Que nesta grande festa do amor – a páscoa da ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Salvador – nós comecemos a nos sentir felizes com a felicidade dos outros, dos irmãos. Assim, ela morará no presente e não mais no passado.

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