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Economia

Sabado, 22 de Março 2008 - 18h42

Preço acompanha cotação do grão


O preço do óleo de soja, hoje, nos supermercados, varia de 3,50 a 4 reais, dependendo da marca e do local da compra, com reajuste da ordem de 30% desde o início de 2008 e superior a 100% comparando-se com o valor de um ano atrás.
É conseqüência do aumento do custo da matéria-prima. O preço da soja para o produtor chegou a quase dobrar no mesmo período, atingindo perto de 50 reais a saca. Mas começou a cair nas últimas semanas.
Hoje, está cotada a menos de 40 reais na região. Por uma questão lógica, isto deve motivar, logo, a queda no preço do óleo de cozinha para o consumidor.
Mas houve tempo em que, do ponto de vista do governo, não prevalecia essa lógica, segundo o ex-secretário da Agricultura de São Paulo, Geraldo Diniz Junqueira, fundador e atual vice-presidente da Carol, de Orlândia.
“O governo considerava a soja só como produto de exportação”.
Ele lembra que, na década de 1970, numa audiência na Comissão de Agricultura da Câmara Federal, em Brasília, queixou-se do então ministro da Fazenda, Delfim Netto, “que não dava à soja a devida importância”.

“Discriminação odiosa”
Geraldo Diniz Junqueira contestou a posição de Delfim, “menosprezando as reivindicações dos sojicultores”. Disse até que havia uma “discriminação odiosa” do governo em relação à agricultura, e particularmente contra a soja.
“Certo que a soja tinha, como tem hoje, importância na pauta de exportações brasileiras, mas tinha importância também no contexto interno, por seu uso como óleo de cozinha e, ainda, pela produção de farelo utilizado para a produção de carne”.
Fora isso, a soja é um “produto abençoado”, fundamental na abertura de novas fronteiras agrícolas.
A soja, argumenta Junqueira, “funciona como corretivo do solo, viabilizando o plantio em terras antes inférteis”.
Inclusive na região da Alta Mojiana, com 80% de solo sob cerrado, o plantio da soja permitiu culturas que vieram depois, como a cana-de-açúcar.
E, hoje, é o produto mais usado no processo de rotação com a cana.

No cenário nacional
Há 30 anos, embora não houvesse reconhecimento por parte do governo, já era evidente a importância da soja no contexto da agricultura nacional, diz o ex-secretário da Agricultura.
Na década de 1960, a soja passou a ser considerada a rotação ideal para o trigo no Rio Grande do Sul. Mais tarde expandiu-se e hoje domina o cenário rural em vários Estados, ocupando 45% da área nacional de plantio de grãos.
Em área de 21,8 milhões de hectares, a produção brasileira deve atingir este ano mais de 60 milhões de toneladas, segundo diferentes institutos.
Metade desse volume vai para exportação (o Brasil é o país que mais exporta o produto) e a outra metade será utilizada no Brasil para produção de óleo, farelo e, ainda relativamente em pequena escala, biodiesel.
Nos supermercados, 90% do óleo vegetal comercializado provém da soja.

Agora é biocombustível
O aumento do preço do óleo vegetal ocorreu não apenas no Brasil. Bate recorde no mundo inteiro, com reajuste superior a 100% nos últimos 12 meses.
E isto devido ainda a outro fator: o mesmo óleo extraído da soja para servir à cozinha hoje é usado em vários países como biocombustível.
Houve um acentuado aumento de consumo com destaque para os países emergentes, e a produção caiu por problemas climáticos na Europa Central e na Austrália, ao ponto de, agora, a oferta não acompanhar a demanda, no ritmo de crescimento de 4% ao ano, envolvendo todo complexo soja: grão, farelo e óleo.
Este é um “raro momento de desequilíbrio entre oferta e demanda”, que provocou “um aumento espetacular nos preços”, segundo o ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, que acredita no reequilíbrio daqui alguns anos, com o aumento da produção estimulada pelo preço atual.



CARLOS ALBERTO NONINO
Especial para A Cidade

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