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Sabado, 22 de Março 2008 - 20h50

Beija-flor muda rotina de casal

Sidnei Quartier
F.L.PITON Beija-flor muda rotina de casal SAULO GOMES, O REPÓRTER Os ovos que estão sendo chocados já alteraram toda a rotina da casa

Um beija-flor-tesoura fêmea mudou os hábitos do casal Edna e Saulo Gomes, ele, repórter de memoráveis entrevistas na televisão.
Mãe zelosa, o beija-flor, há 14 dias, construiu ninho num arbusto (léia rubrica) no alpendre da casa onde moram, no condomínio San Remo 1, Jardim das Acácias, zona Sul de Ribeirão. Em seguida, pôs dois ovos e iniciou o período de incubação.
O beija-flor ganhou a imediata proteção do casal. O local onde está o ninho foi isolado e passou-se a entrar e a sair da casa pelo portão de serviço.
Um toldo, que existia mais como enfeite, foi esticado permanentemente para que as águas da chuva, levadas pelo vento, não chegassem ao ninho. Funcionou muito bem. O estacionamento foi transferido para outra ala da garagem. O ninho é observado apenas através da janela do lavabo, discreta e silenciosamente, para não assustar a mãe. Por isso, a porta principal da casa raramente é aberta.
Edna andou fotografando sua primeira “filha” alada e agora vive a expectativa da chegada dos netos - ou netas.
“Tomara que seja na Páscoa (hoje). Vai ser muito bom cuidar da família”.
Saulo Gomes, perto de completar 80 anos, não esperava por essa. “É um imenso privilégio. A expectativa pela eclosão dos ovos é tanta que só falta um corredor hospitalar, por onde os pais andam como doidos e fumam um cigarro atrás do outro”, brincou.

Lugar estratégico
Apenas um muro separa a casa de Edna e Saulo da mata do Jardim das Acácias, o que pode explicar a opção do pássaro. O casal conta que o beija-flor tem todo um ritual para se aproximar ou deixar o ninho.
Quando chega, costuma parar no ar duas ou três vezes durante o vôo de aproximação. Já no ninho, ajeita-se até ficar apenas com a cabeça e a ponta do rabo de fora.
Seu bico nunca volta ocioso de suas incursões em busca de alimento e para exercitar as asas. Traz sempre alguma coisa, que serve de reforço para ninho.

Mais um mês
Se tudo der certo, o beija-flor e seus rebentos devem ficar na casa por mais um mês. A previsão é de Edwin William, professor de zoologia da Unesp-Rio Claro.
A eclosão dos ovos ocorre duas ou três semanas depois de incubados. Ao nascer, serão alimentados unicamente pela mãe durante mais três semanas, tempo que levarão para aprender a voar. A comida preferida dos filhotes são insetos.
Depois disso, explicou o professor William, vão seguir a mãe por mais um mês, no máximo.

Sobrevivência
É possível que os dois filhotes venham a sobreviver. Os inimigos naturais são a chuva e os predadores, corujas, bem-te-vis, gaviões e gatos. A queda de um deles do ninho também pode ser fatal, bem como a falta de estímulo para se alimentar no bico da mãe.
O beija-flor-tesoura mede entre 12 e 18 centímetros e seu peso varia entre seis e onze gramas. O macho tem a cauda mais longa que a fêmea. O tesoura é abundante em locais urbanizados.
Quando nasce, não chega aos dois centímetros. O professor William disse que o tesoura pode chocar duas vezes num ano, de março até junho e a partir de outubro. O ovo é branco, com manchas amarronzadas. A espécie habita a América do Sul e parte da América Central.
O ninho, em forma de uma pequena xícara, é feito de paina vegetal (no interior) sementes e fibras vegetais, atados com teias de aranha. O exterior é decorado com líquen verde claro ou azulado. O beija-flor, ao contrário de outros pássaros, não retira as cascas dos ovos do ninho.

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