Especial
Sabado, 22 de Março 2008 - 20h53
PADRE FRANCISCO MOUSSA Pároco da Catedral diz que sempre foi pecado atentar contra a vida
A manipulação genética, em relação a experimentos com pessoas, assim como a agressão à natureza, o tráfico de drogas e as desigualdades sociais são práticas que a Igreja condena, e que, por isso, devem sujeitar seus autores à necessidade de confissão, ao pedido de perdão e à penitência.
Esta explicação foi ouvida de padres a propósito da entrevista do monsenhor Gianfranco Girotti ao jornal da Santa Sé, Osservatore Romano. Girotti, responsável pelo tribunal da Cúria Romana, que trata de questões como as indulgências, definiu como “pecados sociais” os que decorrem da “realidade da globalização”.
“Sempre foi pecado”
Entre os padres procurados por A Cidade, alguns preferiram não se manifestar dizendo não terem conhecimento oficial da entrevista do monsenhor.
Pelo mesmo motivo, outros só falaram de forma genérica, como o padre Francisco Moussa Zanardo, da Catedral Metropolitana.
Padre Chicão lembrou que a Igreja já deixou muito clara sua posição contrária à experiência com embriões humanos e, também, disse que “sempre foi pecado toda prática que prejudica a vida humana”, nesse caso citando a agressão à natureza e o tráfico de drogas, além dos fatores que provocam as desigualdades sociais.
O papa condena
A questão agora é que, de acordo com a entrevista do monsenhor Girotti, estes passam a ser considerados “pecados sociais”, acrescentando-se aos outros tipos de pecados apontados pela Igreja: os pecados original, mortais, capitais e veniais (veja box).
O que também deve ser considerado, dizem os padres, é que os papas, inclusive agora Bento 16, vêm condenando fortemente os experimentos genéticos com pessoas, assim como se manifestam contra a injustiça social, a influência das drogas e as ofensas ecológicas. São práticas que, de acordo com monsenhor Girotti, vão além da dimensão individual do pecado e passam a ter impacto social, “com reflexos maiores e mais destruidores”. Outros indicadores de ações com reflexos sociais impactantes poderiam ser a alta concentração de renda e condições desumanas de trabalho.
Capitais, veniais, mortais
Ao longo do tempo, o conceito de pecado pode sofrer acréscimos. Desde que o ser humano desenvolveu uma consciência religiosa e aceitou a idéia de um único Deus, foram codificados os pecados mais comuns que podem ser cometidos. A Igreja Católica enumera gradações que passam pelos termos Capitais (são sete), Veniais (os mais brandos) e os mortais (os mais graves, que exigem penitência e arrependimento).
Original
Vindo de Adão e Eva, eliminado com o Batismo
Mortais
• Assassinato
• Roubo
• Latrocínio e outros crimes graves
Capitais
• Gula
• Luxúria
• Avareza
• Ira,
• Soberba
• Vaidade
• Preguiça
Veniais
• Mentira
• Orgulho, etc
DA REPORTAGEM