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Caderno C

Segunda-Feira, 24 de Março 2008 - 22h52

Longe do Palco

DIVULGAÇÃO Longe do Palco CIA. CONDORS Grupo japonês é a única atração internacional do Festival de Teatro que movimenta a capital paranaense até domingo

A companhia Ogawa Butoh Center, de São Simão, única da região classificada para o Fringe, ou mostra paralela de teatro do 17º Festival de Curitiba, teve sua participação cancelada devido à falta de verba. Em 2007, São Simão e Ribeirão Preto participaram do festival. Este ano a região fica sem representantes.
- Não recebemos o dinheiro do nosso patrocinador para o projeto, ele está com duas parcelas contratuais atrasadas, esclareceu por e-mail o diretor da companhia, João Roberto de Souza, que não quis revelar o nome do patrocinador.
- Ele tem outros projetos conosco, ressalta.
No cronograma estavam previstas três apresentações do espetáculo infanto-juvenil “Clowns e Clownesses” na Praça Osório, no Centro da capital paranaense. Quando a reportagem chegou ao local, na última quinta-feira, não havia nada que indicasse o cancelamento da peça e algumas pessoas aguardavam a apresentação.
- Eu nunca vi um grupo brasileiro de Butoh, pois é uma técnica que está ligada a um contexto japonês pós-guerra. É uma técnica bem específica que exige muita tranqüilidade, densidade e controle do corpo, lamentou a estudante de dança Aline Vallim.
O espetáculo que o grupo levaria para Curitiba seria uma homenagem aos antigos artistas circenses em comemoração aos 25 anos da companhia.
- Participamos anualmente do festival desde 2001. Faz parte da nossa agenda. Temos um público cativo que gosta de nosso trabalho, acredita o diretor.
Para a companhia, estar em São Simão ou em outro lugar não interfere no desenvolvimento do trabalho.
- Somos uma referência do Butoh brasileiro no mundo. Estar em São Simão não muda nada. Viajamos muito, participamos de muitos eventos e temporadas regulares, disse Souza.

Araraquara
A cidade vizinha da região participa este ano pela segunda vez da mostra paralela com a Cia. Teatral Lendas de Eucaniqui. As duas integrantes não escondem o contentamento, pagando do próprio bolso a passagem para Curitiba. Alimentação e hospedagem ficam a cargo do festival.
Composta pela diretora Nataly Oliveira, de 21 anos, e a atriz, que é também sua mãe, Dóris Maria, de 51 anos, o grupo trabalha com a linha teatral de Augusto Boal.
- Acreditamos na linha do Teatro do Oprimido e do Teatro do Invisível do Boal, pois o teatro tem que ter uma crítica social envolvida nas apresentações. O Boal trabalha com a parcela excluída da população, explica a diretora.
O grupo se apresentou até o último sábado em Curitiba com o espetáculo infanto-juvenil “Quimeras de um Algibebe”, que pode ser traduzido como o “vendedor de sonhos”.
- Nessa história passo por um velho que viveu por toda a história da formação do Brasil e que chegou a conclusão que somos brasileiros e não esse monte de raça que tentam dividir a gente, disse Dóris Maria, que também escreveu a história.
No ano passado, mãe e filha foram ao festival com o espetáculo adulto “O Engodo”, contando a história real de uma atleta de Araraquara que virou moradora de rua por problemas mentais.
- Falar sobre essas pessoas excluídas é trazer a reflexão que ninguém quer ver, acredita a atriz.


O festival
Onze dias de festa em torno das artes em Curitiba
Iniciado no último dia 20, a programação do Festival de Teatro de Curitiba vai até o dia 30 de março.
A 17ª edição do Festival de Curitiba é a maior desde a sua criação, em 1992, e apresenta algumas novidades. Uma dela é a volta do seu fundador, Leandro Knopflolz, na direção do evento.
O emblemático Gerald Tomas adiou para amanhã sua palestra aberta ao público no evento, porque não conseguiu passagens aéreas a tempo. O polêmico diretor cancelou o espetáculo “Rainha Mentira”, que ocorreria no último final de semana, pois precisaria de sua presença.
O evento é dividido na mostra principal e na mostra paralela, que recebe o nome de Fringe – termo em inglês que significa “Franja” ou “margem”.
Na mostra principal são 21 espetáculos, dos quais sete são estréias nacionais, com apresentações teatrais e hibridas de dança-teatro e dança-circo.
Somente a Cia. Condors, do Japão, é atração internacional. O humor do grupo satirizou durante a apresentação a imigração dos seus conterrâneos.
- Esse ano se comemora o centenário da imigração japonesa. Voltaremos então daqui cem anos. Obrigado...
Outra atração é o espetáculo “Salmo 91”, com direção de Gabriel Villela, baseado no livro “Estação Carandiru”, de Drauzio Varella.
Na mostra paralela, são 251 o número de produções participantes, sendo 30 destinadas ao público infantil. São companhias vindas de 20 Estados brasileiros, mais Distrito Federal, além de produções de outros países.



LUCAS ARANTES
Especial para A Cidade

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