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Segunda-Feira, 24 de Março 2008 - 23h50 Os estudos para que o veneno de uma espécie de aranha do cerrado brasileiro possa ser utilizado como remédio para amenizar sintomas de doenças degenarativas cerebrais, como o Mal de Alzheimer, devem demorar mais alguns anos, segundo o professor da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP de Ribeirão Preto, Wagner Ferreira dos Santos.
Santos e seu colega Joaquim Coutinho Neto, que atua como professor da Faculdade de Medicina da USP-RP, além de outros pesquisadores brasileiros, isolaram a primeira molécula da peçonha da aranha Parawixia bistriata, após dez anos de pesquisas.
Por esse pioneirismo, a molécula recebeu o nome de Parawixin1. A substância foi descoberta na pesquisa da doutorada Andréia Cristina Karklin Fontana, da FMRP, que foi orientada e co-orientada pelos dois professores.
Em testes de laboratórios com ratos, os pesquisadores descobriram o potencial neuroprotetor da substância.
A molécula foi capaz de proteger as células neuronais (nervosas) das cobaias do efeito devastador que pode causar o excesso de glutamato no cérebro.
O glutamato é um aminoácido importante no metabolismo humano. A morte celular ocorre quando há falhas no processo da eliminação do glutamato ou quando a produção desse aminoácido ocorre em demasia.
“Essas moléculas isoladas de veneno não são apenas potenciais drogas, mas também servem para entender como se desenvolvem os processos lesivos. Nós estudamos para atenuar a gravidade das lesões cerebrais. Se conseguirmos isso num patamar de 5%, será um sucesso”, afirmou o pesquisador da USP.
Questionado sobre a possibilidade de que as pesquisas locais possam ser perdidas para grandes laboratórios por questões burocráticas, Santos lembrou que a legislação brasileira proíbe a patente de qualquer produto da biodiversidade nacional.
Entretanto, segundo ele, um grupo de laboratórios de São Paulo, em parceria com laboratórios americanos, lançou um edital público no valor de R$ 3 milhões para fazer pesquisas mais aprofundadas, antes que a peçonha da Parawixia possa ser usada como remédio.