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Economia

Quarta-Feira, 26 de Março 2008 - 0h0

Mínimo paulista passa para R$ 450

Euclides Oliveira
F.L.PITON Mínimo paulista passa para R$ 450 COMPRAS Consumidor escolhe máquina de lavar: cada R$ 1 a mais no salário, R$ 0,80 vão para consumo

O reajuste do salário mínimo paulista, anunciado ontem pelo governo do Estado para vigorar em maio, deverá provocar aumento do consumo na região de Ribeirão Preto.
Em São Paulo, o mínimo possui três faixas salariais distintas. O valor mais baixo subirá de R$ 410 para R$ 450, o que representa um reajuste de 9,76%.
De acordo com o professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP em Ribeirão, Ricardo Feijó, o trabalhador deverá aproveitar esse ganho salarial para gastar mais com alimentação e com a compra de bens de consumo duráveis, como móveis e eletrodomésticos.
“Parece que não dá para comprar nada com esse acréscimo de R$ 40, mas com esse valor no orçamento a pessoa pode comprar uma geladeira em 20 prestações”, exemplificou
O aumento do consumo, segundo Feijó, deverá também ocorrer nas outras duas faixas do mínimo paulista, que serão reajustadas em percentuais menores.
Quem hoje recebe R$ 450 terá 5,56% de reajuste e receberá R$ 475.Por fim, os trabalhadores situados na maior faixa do mínimo paulista terão seus salários elevados em 3,06%, passando dos atuais R$ 490 para R$ 505.
“Esse aumento de renda é considerado permanente. A tendência é que pessoas poupem mais ou consumam mais. Mas cada R$ 1 a mais de salário significa pelo menos R$ 0,80 de consumo”, detalhou o professor da USP.
O Piso Salarial Regional foi criado em agosto de 2007, quando o governador José Serra sancionou a lei nº 12.640/07.
As três faixas foram estabelecidas de acordo com grupos de ocupação de trabalhadores. Ao todo são 105 ocupações.
O piso é voltado para empregados da iniciativa privada que não possuem piso salarial definido por lei federal, convenção ou acordo coletivo de trabalho.
Estima-se que cerca de de 1 milhão de pessoas foram beneficiadas no Estado.


Todos reajustes ficam acima da inflação
A inflação acumulada pelo IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da Fipe alcançou a taxa de 2,40% entre julho de 2007 (mês anterior à vigência do Piso Salarial paulista) e fevereiro de 2008, segundo a Secretaria Estadual da Fazenda.
Desta forma, todas as faixas do mínimo de São Paulo tiveram reajuste superior à inflação.
Até abril, ainda de acordo com a secretaria, a inflação não deverá superar o menor reajuste (3,06%) previsto pelo governador José Serra no projeto encaminhado para ser votado na Assembléia Legislativa. Para chegar ao piso, a Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho fez um estudo sobre os valores viáveis aos empregadores, que também servissem para não aumentar a informalidade entre os trabalhadores beneficiados.

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